A 17ª Conferência Internacional sobre Aids ("Aids 2008"), que será realizada pela primeira vez na América Latina, a partir deste domingo (3) a 8 de agosto na capital mexicana, fará um apelo em busca de melhoras na prevenção e nos tratamentos da doença.
"Ação Universal, Já!" é o lema do evento, uma mensagem para alertar o mundo para as necessidades de 33,2 milhões de pessoas infectadas e de futuras vítimas, apesar dos avanços no combate à doença.
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"Conseguimos transformar uma doença que era uniformemente letal em uma patologia crônica com a qual podemos conviver" por cerca de 30 anos. Mas ainda resta muito caminho a percorrer", afirmou à Agência Efe o presidente da "Aids 2008", o argentino Pedro Cahn.
Um dos problemas, acrescentou, é que do total de pessoas infectadas no planeta, apenas 31% recebem tratamento adequado, 27 anos depois da aparição da doença e 25 após a descoberta do Vírus da Imunodeficiência Humana (HIV).
Por isso, o objetivo do evento no México é, segundo Cahn, ressaltar "a necessidade de ação de todas as partes envolvidas tanto em nível universal, como em nível nacional, regional e local".
"Cada minuto que perdemos, cada coisa que não fazemos, se traduz em perda de vidas humanas, em infecções e mortes que poderiam ser evitadas", indicou.
Entre as personalidades que comparecerão à "Aids 2008" estão o secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, o ex-presidente dos Estados Unidos Bill Clinton, a vice-presidente de Governo espanhola, María Teresa Fernández de la Vega, e o governante anfitrião, Felipe Calderón.
A sociedade civil terá um papel mais atuante, como comprova a sessão plenária que será presidida pela secretária-geral da Associação de Mulheres Meretrizes da Argentina (Ammar), Elena Reynaga.
Pela primeira vez, a prostituição, um dos setores mais prejudicados pela doença, terá tamanha atenção. Além disso, no local da conferência haverá um espaço dedicado à cidadania, chamado Aldeia Global. O objetivo é fazer com que as comunidades mais afetadas, funcionários públicos, pesquisadores e outros setores envolvidos dividam conhecimentos e busquem parcerias.
Cahn justificou o fato de terem passado 16 edições para que o evento tivesse chegado finalmente à América Latina por meio de uma maior atenção gerada por outras partes do mundo.
"A situação é tão dramática na África e a epidemia está crescendo de forma tão rápida no Sudeste Asiático e no Leste da Europa que às vezes nos esquecemos de olhar para a América Latina", afirmou.
Um dos temas mais controvertidos da conferência será a estratégia do "tratamento como prevenção", que se assenta na base de que "quanto mais pessoas com o vírus forem tratadas haverá menos gente a transmiti-lo", completou.
A promoção da circuncisão como elemento preventivo, plano que funcionou em algumas regiões da África, o fortalecimento de políticas públicas no setor e a forma de combater a epidemia segundo o tipo de contágio serão outras questões em debate.
Autoridades falarão também sobre a criminalização das pessoas com HIV em alguns países, a posição de diversas religiões sobre a doença, os preços dos remédios e o inquietante panorama de pesquisas científicas em matéria de antídotos.
"A situação da vacina vai mal, porque até o momento não fomos capazes de encontrar um sistema que funcione. Mas isso não quer dizer que devemos abandonar a idéia", disse Cahn.
Por último, o presidente da "Aids 2008" qualificou de "preocupante" a posição das grandes potências na última Cúpula do Grupo dos Oito (G8, que reúne os sete países mais industrializados e a Rússia), realizada este mês.
Cahn considerou que "(as nações do G8) estão deixando para trás os compromissos assumidos anteriormente", em alusão à meta da ONU de proporcionar acesso universal a tratamentos até 2010.
"É muito importante entender que isso seria uma tragédia se ocorresse, sobretudo pela África, que é onde a questão tem mais impacto", alertou.