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Apenas um em cada 4 brasileiros separa lixo reciclável

31 dez 1969 às 21:33

Um em cada quatro brasileiros separa o lixo reciclável em casa. Esse é um dos dados apresentados por uma pesquisa realizada pela organização não-governamental ambientalista WWF Brasil, em parceria com o Instituto Brasileiro de Opinião Pública e Estatística (Ibope), sobre os hábitos de consumo dos brasileiros.

"É um dado de mudança muito importante", afirma Irineu Tamaio, coordenador do Programa de Educação Ambiental do WWF Brasil. No sul do país, o número de pessoas que separa o lixo reciclável chegou a 42% dos entrevistados.


No entanto, 67% dos 2002 entrevistados afirmaram que colocam todo o lixo em sacos plásticos, para que sejam levados pelo lixeiro, sem separar o que é reciclável do chamado lixo orgânico. Na Região Nordeste o percentual é de 84%, enquanto no Norte e Centro-Oeste, é de 80%.


Além disso, só 5% das pessoas se preocupam em enviar o lixo seco diretamente para a reciclagem e o lixo orgânico para a produção de adubo.


"No Sudeste e no Sul há políticas públicas ou campanhas de esclarecimento ou divulgação a respeito do destino do lixo, o que talvez não ocorra nas regiões Norte, Centro-Oeste e Nordeste", diz Tamaio.


A pesquisa teve como objetivo avaliar a "pegada ecológica" do brasileiro, ou seja, qual o impacto que o consumo tem no meio ambiente e quantos planetas seriam necessários para gerar produtos, bens e serviços suficientes para sustentar o estilo de vida e consumo no país, caso esse padrão fosse adotado em todo o mundo.


Desperdício de água


Outra importante conclusão da pesquisa WWF/Ibope, foi que o desperdício é a principal ameaça ao abastecimento de água no país. Pelo levantamento, verificou-se que são as residências que consomem mais água e que, em sua maioria, essas casas pertencem a famílias da maior nível social.


Em entrevista à Rádio Nacional, o coordenador da Agência Nacional de Águas (ANA), Antonio Félix Domingos, atribuiu esse alto consumo à ineficiência da administração das companhias de abastecimento e ao valor que é cobrado pelos serviços de manutenção. "Infelizmente os estudos apontam que a água no Brasil ainda é muito barata, por isso as classes mais favorecidas não valorizam. As próprias instituições desperdiçam 40%, esse gasto compromete a água do mundo, que é um recurso muito limitado e isso desfavorece cada vez mais as pessoas de baixa renda para adquirir água", afirmou.


Segundo o coordenador, baseado nos dados da pesquisa da WWF Brasil, as famílias ricas costumam lavar seus automóveis com a mangueira aberta e o tempo mínimo para finalizar o serviço chega a ser de, aproximadamente, meia hora. A torneira aberta costuma gastar 70 litros de água por minuto.


Segundo Domingos, nos últimos anos, o setor industrial apresentou o maior registro de economia de água, devido as companhias cobrarem valores mais alto por metro cúbico nesse segmento. Diante disso, muitos empresários realizaram grandes investimentos em equipamentos, que controlam o consumo de água.


O coordenador recomenda que as pessoas que utilizam poços artesianos não esbanjem água em piscinas ou em irrigações, pois o líquido subterrâneo pertence aos rios e o uso incorreto do equipamento interfere no nível das reservas naturais.

As pessoas que usam poços artesianos e ainda não comunicaram as companhias de abastecimento devem efetuar o registro o quanto antes, pois o uso ilegal acarreta multa.


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