Dezenas de milhares de pessoas tomaram as ruas das principais ruas da Bolívia nesta quarta-feira, 28, para protestar contra algumas políticas do governo de Evo Morales depois da repressão contra um movimento indígena no fim de semana, incidente que colocou a credibilidade do líder boliviano em xeque.
Os manifestantes se julgavam traídos por Morales, o primeiro presidente indígena do país, que tinha como bandeira principal de governo um maior espaço para os grupos nativos e ambientalistas. Juana Pinto, uma professora que participava das marchas, se disse desapontada com o líder boliviano. "Esse governo é o pior e deve sair porque atacou seres humanos, compatriotas que o apoiaram, e agora vira as costas para essas pessoas", criticou.
A principal união trabalhista da Bolívia convocou uma greve geral de 24 horas para esta quarta, mas muitos estabelecimentos permaneceram abertos durante o dia. Nem os sindicatos e nem a oposição pediram a renúncia de Morales, embora ministros e outras figuras deixaram a equipe de governo por conta da crise.
A crise teve início no domingo, quando a polícia agiu violentamente para dispersar uma manifestação contra a construção de uma estrada. Os oficiais utilizaram bombas de gás lacrimogêneo e cassetetes, em uma intervenção condenada nacional e internacionalmente por utilizar força excessiva.
Evo se reuniu com seu gabinete nesta quarta-feira para tratar do assunto, mas o ministro das Comunicações, Ivan Canelas, não deu detalhes do que foi tratado no encontro. Ele disse apenas que "o governo está disposto a dialogar". Na segunda-feira, o presidente suspendeu as obras da estrada depois dos confrontos. As informações são da Associated Press.