Criminosos do mundo inteiro vêm ao Brasil pela fama internacional que o país tem de ser um lugar onde eles têm pouca chance de ser presos e ter uma série de facilidades para lavagem de dinheiro, opina o especialista em crime organizado Walter Maierovitch. Na última terça-feira (7) a Polícia Federal prendeu um dos criminosos mais procurados em todo o mundo, o colombiano Juan Carlos Abadia. Ele trabalhava no Brasil para o cartel do Vale do Norte.
"Todo o crime organizado sabe que o Brasil, além de paraíso seguro para fuga, também é uma praça muito atraente para lavagem e reciclagem do dinheiro lavado em atividades formalmente lícitas, pela absoluta ineficiência dos órgãos de repressão à lavagem de dinheiro", afirmou Maierovitch, em entrevista ao programa Amazônia Brasileira, da Rádio Nacional da Amazônia. A lavagem de dinheiro é a operação em que dinheiro oriundo da venda ilegal de armas, drogas, caixa 2 e outros crimes se torna legítimo.
Receba nossas notícias NO CELULAR
WHATSAPP: As regras de privacidade dos grupos são definidas pelo WhatsApp.Ao entrar, seu número pode ser visto por outros integrantes do grupo.
Além da facilidade em legalizar dinheiro de atividades criminosas, Maierovitch acredita que outro fator também traz produtores e traficantes de drogas para o Brasil: a indústria química do país. De acordo com o pesquisador, não existe esse tipo de indústria na região dos Andes, onde está a Colômbia. "Não haveria cocaína sem que houvesse os insumos químicos, e o Brasil não tem nenhum mecanismo de fiscalizar pra evitar a distribuição dos insumos químicos destinados ao refino", disse.
Ele afirma que é com produtos químicos comprados no Brasil que os traficantes conseguem transformar a folha de coca em pasta e, depois, cocaína. Segundo Walter Maierovitch, mesmo sem os produtos químicos necessários, a Colômbia fornece 80% da cocaína que circula no mundo. O Cartel Vale do Norte, de acordo com ele, além da cocaína, também fornece heroína para muitos países.