As mulheres que vivem em favelas são as "vítimas ocultas" da violência de criminosos e policiais no Brasil, denuncia a Anistia Internacional em um relatório divulgado nesta quarta-feira (16).
Encarregado dos estudos sobre o Brasil na organização de defesa dos Direitos Humanos, Tim Cahill afirma que "a realidade das mulheres das favelas é catastrófica". Na ausência do Estado, "são os narcotraficantes que fazem a lei. Eles aplicam as punições e utilizam as mulheres como troféus ou moeda de troca", disse. O relatório foi elaborado a partir de testemunhos obtidos de 2006 a 2007 com mulheres das regiões nordeste, sudeste e sul do Brasil.
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O governo brasileiro lançou um novo projeto para reconquistar as favelas controladas pelos narcotraficantes, mas "muito pouco foi feito" para atender às necessidades específicas das mulheres, segundo a Anistia.
"Longe de fornecer proteção, a Polícia submete com freqüência as mulheres a revistas ilegais realizadas por homens, fazendo uso de expressões insultantes e discriminatórias e de atos de intimidação, particularmente quando elas tentam intervir para proteger um parente", ressalta Cahill.
Também utilizadas como "mulas" ou como iscas pelos grupos criminosos, "as mulheres são consideradas negligenciáveis tanto pelos criminosos como pelos policiais corruptos". Quando tentam conseguir justiça para seus filhos ou maridos, vítimas de abusos policiais, "entram na linha de frente e são submetidas a ameaças e a uma perseguição policial ainda maior".
A Anistia Internacional relata episódios de mulheres que tiveram suas cabeças raspadas por infidelidade ou foram obrigadas a realizar serviços sexuais impostos como pagamento de dívidas.
A Anistia exorta o governo a inserir as necessidades das mulheres em seu novo plano de proteção aos cidadãos e, a longo prazo, a melhorar a vida das moradoras de comunidades carentes.