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Crise e conflito

Caminhoneiros ainda bloqueiam rodovias na Argentina

Agência Estado
31 dez 1969 às 21:33

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Transportadores de grãos e produtores rurais da Argentina ainda mantêm protestos e bloqueios de rodovias em alguns municípios. Eles argumentam que a suspensão do locaute não é garantia de que a crise será resolvida, principalmente porque o governo informou que não vai enviar representantes à reunião convocada pelo Defensor do Povo, Eduardo Mondino, para as 15 horas (horário de Brasília). Os presidentes das entidades rurais tampouco acreditam que a reunião convocada por Mondino possa significar a reabertura do diálogo. Na Casa Rosada, assessores confirmam que a presidente Cristina Kirchner fará um discurso em cadeia de rádio e televisão às 18 horas.

O líder da Confederação Argentina de Transporte Automotor de Carga, Rubén Agugliaro, disse que o conflito entre o campo e o setor agropecuário está cada dia mais forte porque grupos de produtores não acataram a suspensão do locaute determinado para a partir da zero hora de hoje. Agugliaro disse que 90% dos 160 mil caminhoneiros filiados à Confederação "têm problemas" por falta de trabalho. Muitos deles, continuou, "estão ficando nervosos" e o clima de tensão poderia piorar. No fim de semana, um motorista foi apunhalado por um colega durante um incidente na rodovia.

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"O conflito está mais duro que antes, porque cada dia que passa nossas famílias nos perguntam o que vamos comer", disse Agugliaro. Segundo ele, a situação chegou a tal ponto que nem o campo nem o governo dão sinais de querer "um diálogo sério" que coloque um fim ao conflito. No próximo dia 13, a crise completará três meses. Os produtores que continuam com os bloqueios no sul das províncias de Córdoba e de Santa Fé afirmam que são "independentes das entidades rurais" e, por isso, não acataram a decisão de suspender os protestos.

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"Milhares de produtores agropecuários não acreditam que o governo vai aceitar o diálogo e estão muito irritados. O fato de suspender os protestos não significa que vão vender grãos", afirmou o presidente da Federação Agrária de Entre Ríos, Alfredo De Angeli, um dos mais combativos, mas que aceitou o fim do locaute.


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