O empresário americano Morris Talansky, principal testemunha num caso de corrupção na campanha do premier Ehud Olmert, afirmou nesta terça-feira (27) que em várias ocasiões entregou dinheiro em espécie ao primeiro-ministro de Israel, num total de cerca de U$ 150 mil. O americano disse ter transmitido essas somas tanto em Israel quanto no exterior em envelopes, por intermédio do ex-chefe de gabinete de Olmert.
O primeiro-ministro é acusado formalmente de suspeita de fraude, abuso de confiança e irregularidades no financiamento de campanhas eleitorais.
A audiência no qual compareceu Morris Talansky, um israelense-americano que vive em Nova York, durou mais de sete horas no tribunal do distrito de Jerusalém.
"Eu dei dinheiro em espécie a Olmert para suas campanhas de 1991 e 1992 (...). Ele me disse que preferia em espécie e eu entreguei primeiro recursos de fundos privados e depois quantias arrecadadas nos Estados Unidos para ele", afirmou Talansky, em declarações divulgadas pela rádio pública israelense como parte de seu depoimento no tribunal do distrito de Jerusalém.
"Em 1998 também foram entregues valores, a princípio e em cada ocasião, em geral, de 3.000 a 8.000 dólares, sempre em dinheiro, pois Olmert não queria cheques", acrescentou Talansky, afirmando que não havia recebido nada em troca.
Olmert enfrenta acusações de ter recebido de Morris Talansky, em Israel e no exterior, pagamentos sobretudo quando era ministro do Comércio e Indústria (2003-2006).
Talansky também indicou que Olmert havia proposto "ajudá-lo" a vender frigobares de hotel fabricados por ele. O primeiro-ministro, segundo ele, colocou-o em contacto com proprietários americanos de hotéis. "Ele queria me fazer um favor, mas não deu em nada", segundo ele.