A revista americana The New Yorker publicou uma manchete nesta segunda-feira (14) com a caricatura do candidato democrata à presidência americana Barack Obama vestido de militante islâmico, considerada de "mau gosto e ofensiva" por seu comitê de campanha.
A caricatura mostra Obama no Salão Oval da Casa Branca, com um turbante na cabeça e babucha nos pés, cumprimentando a mulher Michelle com uma kalachnikov pendurada no ombro, e uma bandeira americana queimando na chaminé. No muro, um cartaz do chefe da Al-Qaeda, Osama bin Laden.
A New Yorker, um das revistas preferidas dos intelectuais americanos e considerada de esquerda, explicou que quis denunciar com esta caricatura "a campanha de medo e desinformação" realizada contra o senador de Illinois.
"Muitos leitores a considerarão de mau gosto e ofensiva, e nós concordamos", reagiu o diretor da comunicação de Obama, Bill Burton.
O porta-voz do candidato republicano John McCain, Tucker Bonds indicou por sua vez que a equipe do senador do Arizona era "inteiramente de acordo" com a indignação do comitê de campanha de Barack Obama.
Resposta
O editor da New Yorker, David Remnick, divulgou um comunicado para explicar o sentido editorial da ilustração de Barry Blitt, que como todas as capas da revista fundada em 1925 é um desenho sem texto. "Nossa capa sobre a 'campanha de medo' reúne uma série de imagens fantasiosas sobre dos Obama e as mostra como óbvias distorsões", alegou Remnick.
Segundo o editor, "tanto a bandeira queimada, como o traje de nacionalista islâmico radical, o toque das mãos ou o retrato na parede, se referem a um ou outro desses ataques". "A sátira é parte de nossa atividade, e é destinada a deixar as coisas abertas, ao apresentar um espelho frente ao preconceito, ao ódio e ao absurdo. Esse é o espírito da capa", insistiu.
O autor da charge defendeu seu desenho insistindo que a intenção era denunciar como "ridículos" os ataques contra o candidato democrata.