Segundo pesquisadores do Centro Médico da Universidade de Rochester, nos Estados Unidos, os países cujas economias estão em crescimento enfrentam um enorme desafio com a carga imposta pelos casos da enfermidade.
Muitas dessas nações, diz o estudo, não estão preparadas para enfrentar esta grave ameaça a saúde pública. "Estamos convencidos de que ocorrerá assim", diz Urit Lacoa, presidente da Liga Chilena contra o Parkinson. "A estrutura demográfica desses países está mudando porque as pessoas idosas estão vivendo mais. E como esta doença se apresenta a partir dos 50 anos, aumentará consideravelmente," explica.
Os maiores - Os pesquisadores norte-americanos estudaram as taxas projetadas de envelhecimento nos cinco maiores países da Europa ocidental: França, Espanha, Alemanha, Reino Unido e Itália.
Também analisaram estas taxas nas dez nações mais povoadas do mundo: China, Índia, Indonésia, Estados Unidos, Brasil, Paquistão, Bangladesh, Nigéria, Japão e Rússia.
Posteriormente, estudaram a prevalência da doença por grupos de idade em cada país. Os resultados revelaram que o número de indivíduos com Parkinson nesses 15 países aumentará de 4,1 para 8,7 milhões até o ano de 2030.
E apesar do número de enfermos do Mal de Parkinson se duplicar nos Estados Unidos, para alcançar 610 mil casos, o maior crescimento ocorrerá nos países em desenvolvimento.
"O maior impacto de Parkinson nos próximos 25 anos não será nos Estados Unidos e nem na Europa", diz o médico Ray Dorsey, o responsável por comandar a pesquisa. "Ocorrerá nas maiores nações do mundo em desenvolvimento, onde esta enfermidade não está sendo percebida como um problema de saúde importante", afirma o pesquisador.
Saiba mais sobre a doença - O mal de Parkinson é um transtorno degenerativo do sistema nervoso central que prejudica as habilidades motoras.
Até agora não se sabe com exatidão suas causas e nem existe uma cura para a doença. Mas há tratamentos, terapias, exercícios e medicamentos que podem melhorar a qualidade de vida do indivíduo.
Entretanto, em muitos países em desenvolvimento, as pessoas que sofrem de Parkinson não recebem os cuidados apropriados ou inclusive podem ter a doença sem saber do diagnóstico.
Os pesquisadores mencionaram um estudo boliviano, no qual se realizou um questionário casa por casa. Foi descoberto que a maioria dos doentes de Parkinson nunca haviam ido a um médico para tratar seu problema. "Nestes países existe um grande desconhecimento da enfermidade", diz Urit Lacoa.
"Um dos primeiros sintomas do Parkinson é a rigidez muscular, que provoca uma espécie de "cara de máscara", lentidão e falta de coordenação motora".
"Temos visto exemplos dramáticos em que a família, no lugar de procurar um médico, começa a repreender o doente porque ele deixa de sorrir ou porque não pode caminhar rápido", explica Lacoa. "Por isso, é necessário educar as famílias e as comunidades sobre como tratar o doente de Parkinson", afirma Urit Lacoa.
Os especialistas são unânimes ao dizer que a detecção precoce da doença é essencial para melhorar o impacto desta e de outras enfermidades crônicas.
Mas eles acrescentam que se não forem estabelecidos sistemas apropriados de cuidados médicos e apoio social estas doenças causarão perdas econômicas importantes nos países mais necessitados.
O entendimento da doença e seu impacto são fundamentais para as políticas de saúde, sociais e econômicas dos países em desenvolvimento. "Não estamos preparados em absoluto", revela Urit Lacoa. "Precisamos começar agora a colocar em prática uma infra-estrutura capaz de suportar a carga do Mal de Parkinson, que hoje é pequena, mas que se converterá em uma carga enorme no futuro".