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Chávez ameaça prender opositor que não entregar porto

Agência Estado
31 dez 1969 às 21:33

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Marcello Casal Jr./ABr
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O presidente venezuelano, Hugo Chávez, ameaçou prender os governadores da oposição que tentarem impedir a troca de comando dos portos e aeroportos do país, após a determinação para que o Exército ocupe os principais portos e aeroportos do país. Os três principais portos venezuelanos ficam em Estados controlados por governadores oposicionistas - Carabobo, Zulia e Nova Esparta e a medida deve aumentar a centralização e enfraquece os governos locais de oposição.

Chávez também ameaçou os governadores, dizendo que "caso se neguem a acatar a lei, podem ser presos como qualquer outra pessoa". "Nenhum venezuelano pode se declarar acima da lei; ela aprovada para cumprida, e o governo está obrigado a fazê-la ser cumprida", disse Chávez. Chávez afirmou ter dado ordens para navios da Marinha tomarem o controle de Maracaibo e Porto Cabello, o mais movimentado do país, ainda esta semana. "O governador de Zulia (Pablo Pérez) disse que defenderá o porto de Maracaibo. Bom, acabará preso", afirmou em seu programa de rádio e TV semanal Alô, presidente. Segundo o presidente, os portos estão dominados por "máfias regionais" e narcotraficantes. "É um tema de segurança nacional", justificou . "Vamos recuperar os portos e aeroportos de toda a República, essa é a lei."

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"O que se passa com esses governadores? Será que acham que aqui vão a fazer algo como a divisão do país? Fiquem em seus lugares!", atacou Chávez durante seu programa. "Aqui estão as leis e essas leis se cumprem, embora os senhores chiem, se joguem no chão, vão à OEA (Organização dos Estados Americanos) ou à Casa Branca pedir ajuda!", acrescentou. "Os portos do país voltam ao país, os aeroportos do país voltam ao país", concluiu Chávez.


Descentralização


Na semana passada, deputados leais a Chávez aprovaram uma reforma na Lei de Descentralização, dando ao Executivo o poder de retirar dos governos locais o controle de portos, aeroportos e estradas. Com a alteração, Estados e municípios não podem mais recolher impostos sobre meios de transporte. A oposição acusa o presidente de tentar asfixiar economicamente governadores e prefeitos contrários a ele. O governo central alega que portos e aeroportos têm "importância estratégica" para o país e diz que a oposição usa o domínio sobre eles para isolar Chávez e desmontar seus programa sociais.


Desde as eleições regionais de novembro, quando a oposição venceu em cinco Estados importantes e no município de Caracas, Chávez iniciou esforços para aumentar a centralização do poder no país. Grupos chavistas chegaram a ocupar prédios e fazer manobras políticas para tentar impedir que os opositores assumissem os postos conquistados nas eleições.

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Após sua derrota parcial, Chávez passou a emitir uma série de decretos determinando a transferência do controle de hospitais, estádios e instituições policiais dos departamentos governados pela oposição para os Ministérios da Saúde, Esportes e Interior, respectivamente. Chávez também relançou sua campanha de nacionalização de setores considerados estratégicos, assumindo recentemente o controle de empresas de alimentos. Em fevereiro, conseguiu aprovação em referendo de uma mudança constitucional que possibilita reeleições ilimitadas. "O peixe grande quer engolir o peixinho", disse o opositor Henrique Capriles, governador do Estado de Miranda, centro do país.


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