Depois de meses de crise e troca de acusações, os presidentes da Colômbia e da Venezuela deram início, nesta sexta-feira (11), a "uma nova etapa" nas relações entre os dois países. "A partir de hoje começa uma nova etapa", disse o venezuelano Hugo Chávez ao final do encontro com o colombiano Álvaro Uribe, na refinaria de Paraguaná, no norte da Venezuela.
"Vamos recuperar o tempo perdido, para enfrentar desafios comuns", disse Chávez, durante entrevista coletiva após o encontro. "Estamos muito felizes que assim seja."
Uribe, que fez a primeira visita à Venezuela desde o início da tensão entre os dois países, há oito meses, afirmou que a reunião com Chávez foi "muito construtiva".
"Somos iguais, somos irmãos na história, no presente e no futuro. O reconhecimento desta realidade facilita tudo", afirmou Uribe.
Tensão
A tensão entre os dois países começou em novembro passado, quando Uribe pôs fim à mediação de Chávez na busca de um acordo com o grupo rebelde Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) para a libertação de reféns.
O episódio foi seguido por declarações duras por parte dos dois lados.
Chávez chegou a dizer que Uribe dirigia um "narcogoverno", o chamou de "peão do império" e afirmou que "por dignidade" não voltaria a ter nenhum tipo de relação com o presidente colombiano e com seu governo.
No auge da crise, Uribe chamou a Chávez de "imperialista tropical" e o acusou de manter vínculos com as Farc.
Diálogo com guerrilha
Esta visita de Uribe à Venezuela ocorre poucos dias depois do resgate da ex-candidata presidencial colombiana Ingrid Betancourt e de outros 14 reféns das Farc, em uma operação realizada pelo Exército da Colômbia.
Apesar disso, os dois presidentes afirmaram não ter discutido o conflito armado na Colômbia durante a reunião.
Na coletiva, Uribe disse estar disposto a estabelecer um "diálogo direto" com a guerrilha para alcançar um acordo de paz, supervisionado por uma comissão internacional.