O Dalai Lama, 72 anos, afirmou nesta terça-feira (18) que a situação no Tibete escapa de seu controle e ameaçou renunciar à função de líder espiritual dos tibetanos se a situação no território piorar. A afirmação foi feita em uma entrevista coletiva em Dharamshala (norte da Índia), onde vive exilado desde 1959.
"Se as coisas escaparem do controle, a opção é renunciar", declarou à imprensa, lembrando que já havia feito a promessa de deixar o posto durante ondas de violência precedentes. O Dalai Lama disse ainda não estar em condições de dizer aos tibetanos que vivem sob o regime chinês que "façam isto ou aquilo".
China culpa Dalai Lama
A China afirmou nesta terça-feira (18) ter provas de que as revoltas em Lhasa na semana passada foram "estimuladas e organizadas pelo grupo do Dalai Lama" e pediu mais uma vez que o líder espiritual renuncie à independência do Tibete.
Em um sinal de aparente abertura, o líder tibetano convidou as autoridades chinesas para uma reunião com ele para investigar as acusações.
O Dalai Lama afirmou que chineses e tibetanos devem viver "lado a lado" e descartou nesta terça-feira incluir na agenda de eventuais discussões com a China a reivindicação de independência do Tibete.
"A independência é algo fora de discussão", disse o líder espiritual do budismo tibetano à imprensa em Dharamsala.
"Não cometam atos de violencia, é ruim. A violência é contrária à natureza humana. A violência é quase um suicídio. Mesmo que mil tibetanos sacrifiquem suas vidas, não servirá para nada", declarou.
A revolta em Lhasa contra a presença chinesa no Tibete deixou 13 mortos desde sexta-feira, segundo o balanço oficial de Pequim. Os tibetanos no exílio falam de 100 mortes.