O presidente Luiz Inácio Lula da Silva defendeu nesta quarta (16) a permanencia do delegado da Polícia Federal Protógenes Queiroz à frente da Operação Satiagraha, para que não haja insinuação de que ele deixou o comando da operação por ter sido pressionado. "Moralmente, esse cidadão (o delegado) tem que ficar no cargo até terminar o relatório. A não ser que ele não queira. O que não pode é passar insinuações", disse o presidente.
O delegado Protógenes Queiroz afastou-se da Operação Satiagraha, ontem (15), segundo a assessoria da Polícia Federal, para fazer um curso, a pedido do próprio delegado. No entanto, a imprensa divulgou informações de que o delegado deixou as investigações por pressão da cúpula da PF. Lula desmentiu essa versão e disse que houve "insinuação" sobre o motivo da saída do delegado.
"Quem contou essa mentira, de que ele foi pressionado, eu espero que amanhã ou depois de amanhã desminta. Eu sou talvez o mais fervoroso defensor da atuação da Polícia Federal, porque ela é uma garantia para o combate à malversação, à corrupção, ao narcotráfico, ao crime organizado no País", disse o presidente.
Segundo ele, se o delegado não quiser continuar no cargo deve se pronunciar publicamente para não "vender insinuação" de que foi obrigado a se afastar.
O presidente afirmou que já pediu ao ministro da Justiça, Tarso Genro, que entre em contato com a PF, para que o delegado volte ao caso.
"A Polícia Federal deve estar divulgando uma nota de uma reunião que ele [Protógenes Queiroz] participou, uma reunião que foi gravada com o consenso de todo mundo, em que ele pede para sair", disse Lula.
Negativa
O apelo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva não foi suficiente para trazer o delegado Protógenes Queiroz ao comando do inquérito da Operação Satiagraha. Em nota divulgada no início da noite, pouco depois da entrevista de Lula, a Polícia Federal reafirmou que tanto Protógenes como sua auxiliar, delegada Karina Marakemi Souza, tiveram seus pedidos de afastamento aceitos.
Para os seus lugares, foram designados os delegados Ricardo Saadi, chefe da Delegacia de Combate aos Crimes Financeiros (Delefin) da Superintendência da PF em São Paulo, e Erika Mialik Marena.