A China organizou, nesta sexta-feira (28), uma visita a Lhasa para diplomatas estrangeiros, entre eles um brasileiro, duas semanas depois dos distúrbios registrados no Tibete, em um momento em que a Europa se prepara para debater se é oportuno boicotar a cerimônia de inauguração dos Jogos Olímpicos de Pequim.
Representantes de mais de 15 embaixadas - entre elas as do Brasil, Estados Unidos, Grã-Bretanha, França, Austrália, Itália, Rússia e Canadá - figuram no grupo de pessoas convidadas para esta viagem de dois dias, informou o ministério chinês das Relações Exteriores em um comunicado.
"O objetivo da viagem é que a comunidade diplomática tenha uma compreensão objetiva dos violentos distúrbios em Lhasa", explica o texto.
Esta visita acontece pouco depois da visita organizada pelas autoridades chinesas com um grupo de jornalistas estrangeiros com o objetivo de 'mostrar a verdade do que aconteceu em Lhasa'.
Só que os monges de um dos templos mais sagrados do budismo tibetano desafiaram as autoridades chinesas e manifestaram apoio a seu líder espiritual, o Dalai Lama, diante da imprensa estrangeira em Lhasa, capital do Tibete.
A manifestação ocorreu poucas horas depois do presidente americano, George W. Bush, ter se unido aos pedidos para que Pequim inicie um diálogo com o Dalai Lama para solucionar a crise nesta região do Himalaia.
Protestos
A repressão das manifestações, iniciadas em 10 de março no Tibete e que chegaram a áreas tibetanas de outras províncias, desencadeou uma forte pressão internacional, com pedidos de boicote às cerimônias oficiais dos Jogos Olímpicos de Pequim, que acontecerão emn agosto.
Os protestos em Lhasa começaram por ocasião do aniversário de 49 anos da revolta antichinesa no Tibete, cuja repressão forçou o Dalai Lama a se exilar na Índia, onde vive até hoje.
Segundo a versão oficial, os incidentes deixaram 20 mortos, sendo 18 civis "inocentes" e dois policiais. As organizações tibetanas no exílio afirmam que a repressão deixou 140 mortos, mil feridos e centenas de presos.
O líder do budismo tibetano voltou a pedir nesta sexta-feira aos dirigentes chineses o início de um "diálogo significativo" para resolver a crise no Tibete.