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DNA vai revelar se corpo encontrado no mar é de padre

31 dez 1969 às 21:33

O Instituto Médico Legal (IML) de Macaé informou que somente um exame de DNA poderá confirmar se o corpo encontrado boiando a cerca de 100 quilômetros da costa do município é o do padre Adelir Antônio Carli.

Segundo o IML, os restos encontrados no mar não chegam a caracterizar um corpo. "São despojos humanos. Apenas uma ossada da cintura para baixo, da região pubiana e das pernas, totalmente em decomposição e com fragmentos de tecidos", informou o IML.


O delegado titular da 123ª Delegacia, Daniel Bandeira, encarregado das investigações, já encaminhou uma solicitação de material genético dos familiares do padre para que se possa fazer um exame de DNA no Centro de Genética Forense, na capital. O resultado do exame só deverá ser conhecido em, no mínimo, um mês.


Na encosta do Rio de Janeiro


Tripulantes do rebocador Anna Gabriela, da Companhia Brasileira de Offshore resgataram os restos mortais e registraram o caso na 123.ª Delegacia de Polícia (Macaé), às 3h20 de ontem, quando voltaram à costa.


"Eles acreditaram que poderia ser o padre porque sob a roupa havia vestígios de alumínio. Na verdade, é um aparato bem artesanal, que serviria para proteção do frio e há relatos de que o padre teria usado desse recurso", disse o delegado Daniel José Gomes. De acordo com o chefe do Instituto Médico Legal de Macaé, Paulo Alves, a tripulação do rebocador Anna Gabriela encontrou o quadril e um pedaço das pernas de um corpo. Não é possível sequer identificar o sexo do morto.


"Os despojos chegaram enrolados em linha de pesca, bóias. Não se tratava de um equipamento de vôo, como eles pensaram a princípio. Também não se pode falar em roupas, mas em fragmentos de tecido", afirmou. Alves disse ainda que não é possível afirmar ainda se havia alumínio sob esses fragmentos. "O que havia era um outro tecido com certo brilho, que ainda será analisado", afirmou.


Conselho à família


O médico conversou com representantes da Igreja Católica no Paraná e desaconselhou os irmãos do padre Carli a viajarem ao Rio. "Não há um corpo para ser reconhecido. O que recebemos são restos mortais em adiantado estado de decomposição. Os despojos serão encaminhados para o Instituto Genético Forense do Rio de Janeiro e os parentes serão convidados, pelo delegado, a fazer o exame de DNA", afirmou.


De acordo com Alves, essa não é a primeira vez que se levanta a possibilidade de o corpo do padre ter aparecido na região. O chefe do IML disse que não seria "nenhum absurdo" um corpo desaparecido no Paraná ser encontrado na costa fluminense. "Aqui nessa região temos o fenômeno da ressurgência, caracterizado pela maré que traz águas frias do Sul para cá. Poderia acontecer. Só não sabemos se é o caso", disse Alves.


Família


O irmão do padre Carli, que desapareceu no litoral de Santa Catarina, no dia 20 de abril, após levantar vôo em Paranaguá, no Paraná, impulsionado por mil balões de festa, Marcos de Carli, que mora em Palotina, no oeste do Paraná, disse nesta sexta-feira, 4, que, caso se confirme que o corpo encontrado no Rio de Janeiro é do religioso, será um "alívio" para a família e para a população, sobretudo de Paranaguá, onde ele era pároco.


"Põe um ponto final nisso", acentuou. "Como não havia corpo, sempre havia a esperança de encontrá-lo vivo, mas, se for verdade, vai ser um alívio pelo menos ter encontrado o corpo."


Caso

O padre saiu da cidade de Paranaguá (PR) na manhã do dia 20 de abril, um domingo, alçando vôo preso a balões de gás hélio, e deveria pousar em Dourados (MS). Os ventos e o mau tempo teriam desviado padre Carli de seu percurso, levando-o à costa catarinense. De acordo com informações dadas à época do desaparecimento pelo Corpo de Bombeiros da cidade, pelas coordenadas recebidas pela Capitania dos Portos, o balão teria desaparecido em uma região próxima ao balneário de Penha, que fica a cerca de 74 quilômetros de São Francisco do Sul.


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