Dezenas de milhares de estudantes e professores chilenos voltaram às ruas de Santiago em passeatas nesta terça-feira (9), mantendo a pressão sobre o governo para que sejam promovidas mudanças no sistema educacional. A líder estudantil Camila Vallejos estima que mais de 100 mil pessoas protestaram em Santiago e em várias cidades do Chile. Já a polícia estima que 60 mil estudantes protestaram nesta terça-feira na capital.
Os protestos de hoje transcorriam pacificamente em Santiago e diversas outras cidades chilenas na tarde desta terça-feira. Depois de algum tempo, entretanto, houve choques entre manifestantes e policiais em diversos pontos da capital do país.
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Participantes dos protestos atiraram objetos em direção aos policiais, que usaram bombas de gás lacrimogêneo e canhões d''água para reprimir a multidão. Em meio aos distúrbios, pessoas mascaradas incendiaram carros, armaram barricadas e promoveram saques.
O ministro chileno de Interior, Rodrigo Hinzpeter, aproveitou os choques para acusar os líderes estudantis de não conseguirem controlar os manifestantes.
Os estudantes saíram às ruas em desafio a uma proibição das autoridades chilenas. Na semana passada, quando tentaram desafiar a proibição, quase 900 manifestantes acabaram presos.
Os líderes estudantis rejeitam uma reforma de 21 pontos para as escolas e universidades proposta pelo presidente Sebastián Piñera na semana passada e pediram novas propostas até a quarta-feira (10).
O ministro da Educação, Felipe Bulnes, diz que o governo apresentará seu pacote de reformas ao Congresso, excluindo estudantes e professores do debate. A situação permanece em impasse e nenhuma das partes cede.
Entre outros pontos, Piñera propôs elevar gradualmente a verba para a educação e transferir a responsabilidade pelo ensino para o governo federal. No entanto, a proposta de Piñera não abrange uma exigência fundamental do estudantes: obrigar as universidades particulares a reinvestirem uma parcela maior de suas receitas, uma vez que a legislação chilena as considera instituições sem fins lucrativos. A oposição a Piñera não aceitou participar do diálogo entre governo e parlamentares e os estudantes prometeram manter os protestos por considerarem insuficiente a proposta oficial.
(As informações são da Associated Press)