Os dados do estudo "Relações raciais na escola: reprodução de desigualdades em nome da igualdade" permitem comprovar que há racismo nas escolas brasileiras, avalia a pesquisadora Mary Garcia Castro. Professora da Universidade Católica de Salvador e uma das coordenadoras do estudo, Castro sublinha que o baixo rendimento escolar dos alunos negros em matemática e português, em relação aos brancos, é, sobretudo, em função da discriminação que sofrem nas instituições de ensino.
Segundo ela, o que mais chamou a atenção dos pesquisadores, foi a banalização do racismo nas escolas de ensino fundamental e médio. Ela cita os apelidos, as piadas, as brincadeiras e, principalmente, as formas sutis de discriminação, como as maneiras que causam desconforto aos estudantes negros.
A pesquisa foi feita em escolas pública e privada das capitais Belém, Salvador, Porto Alegre, São Paulo e Brasília. O levantamento, de 2003, foi concluído no ano passado.
De acordo com o estudo, as diferenças nas notas entre negros e brancos tendem a aumentar a cada série, o que indica que isso decorre em função de um arrefecimento do preconceito na medida que os negros avançam nos estudos. Por exemplo, na 4º série, a média de notas dos alunos brancos é 12,4 vezes maior do que as dos negros; já na 3º série do ensino médio, é 22,4 vezes maior.