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Condenado a 50 anos de prisão

Ex-ditador argentino é acusado de roubo de bebês

Agência Estado
05 jul 2012 às 20:53

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O ex-ditador argentino Jorge Rafael Videla foi condenado e sentenciado, nesta quinta-feira, a 50 anos de prisão por executar um plano sistemático de roubo de bebês de prisioneiras que eram sequestradas, torturadas e mortas durante a guerra dos militares contra dissidentes de esquerda, três décadas atrás.

O roubo de bebês distanciou a ditadura militar argentina das outras da América Latina. Videla e o restante da junta militar estavam determinados a remover todos os traços do movimento guerrilheiro armado que considerassem uma ameaça ao futuro do país.

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Segundo dados oficiais, 13 mil pessoas pereceram durante a "guerra suja". Muitas eram mulheres grávidas que deram à luz em maternidades clandestinas. O último ditador argentino, Reynaldo Bignone, também foi condenado e recebeu uma sentença de 15 anos de prisão.


Outras nove pessoas, a maioria ex-militares e ex-policiais, também julgadas. O processo se concentrou nos roubos de 34 bebês. Sete pessoas foram condenadas e duas consideradas inocentes.


Dentre as testemunhas havia líderes do grupo de defesa dos direitos humanos Avós da Praça da Maio e o ex-diplomata norte-americano Elliot Abrams, que, de Washington, disse ter pedido secretamente a Bignone que revelasse as identidades dos bebês roubados como uma forma de promover o retorno da Argentina à democracia.


Nós sabíamos que não era apenas uma ou duas crianças", disse Abrams, dando a entender que deveria haver algum tipo de diretriz de um oficial de alta patente, "um plano, porque havia muita gente sendo morta ou presa". Mas em vez de acatar o pedido do diplomata, Bignone ordenou a destruição das evidências sobre a "guerra suja".


As Avós da Praça de Maio tem usado o DNA para ajudar 106 pessoas que foram roubadas na prisão, quando eram bebês, a recuperar suas verdadeiras identidades. Muitas foram criadas por oficiais militares ou seus aliados.

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Videla, de 86 anos, recebeu a pena máxima para o homem criminalmente responsável por 20 dos roubos. Ele e Bignone, de 84 anos, já cumprem prisões perpétuas por outros crimes contra a humanidade. Eles são mantidos atrás das grades embora a lei argentina geralmente permita que criminosos acima de 70 anos cumpram suas sentenças em casa. As informações são da Associated Press.


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