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Ação guerrilheira

Filho de brasileiro vira refém político no Paraguai

Agência Estado
21 set 2014 às 09:39

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O que era para ser mais uma ação guerrilheira para financiar o Exército do Povo Paraguaio (EPP), grupo marxista radical que atua em Concepción, no norte do Paraguai, está se transformando em uma complicada operação política e militar no país. Com Arlan Fick, de 16 anos, filho do produtor rural brasileiro Alcido Fick, em cativeiro há 172 dias, a guerrilha recebeu o resgate pelo sequestro, mas se negou a libertar o rapaz. Os guerrilheiros dizem agora que só negociam a libertação com a troca do refém por líderes do EPP que estão presos em Assunção, enfrentam o Exército à bala e assustam a comunidade brasileira local.

Na sexta-feira, um combate entre forças oficiais do Paraguai e o EPP levou mais insegurança às vilas à beira da Rota 3, que liga a capital federal à capital do Estado de Concepción. O confronto terminou com pelo menos três mortos e dois helicópteros atingidos por tiros de guerrilheiros, em Arroyito, vizinha de São Pedro de Yacuamandyu, a 320 km de Assunção. O confronto começou com uma operação de buscas por Arlan em um acampamento guerrilheiro. Uma Força-Tarefa Conjunta (FTC), criada pelo governo do presidente Horácio Cartes para prender os sequestradores, cercou o local com auxílio de quatro helicópteros.

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Arlan foi sequestrado pela guerrilha no dia 2 de abril, durante outro tiroteio na Vila de Azotey. A família diz que pagou no dia 12 de abril o resgate de US$ 500 mil exigido. O EPP queria ainda a distribuição de US$ 50 mil em alimentos (açúcar, farinha, arroz, azeite e outros víveres) para as Vilas de Arroyito e Nueva Fortuna e a divulgação de um vídeo no qual a líder do EPP, Liliana Villalba Ayala, conhecida como comandante Anahy Ayala, exalta a ação guerrilheira de dois companheiros mortos no sequestro de Arlan.


Na quinta-feira, o Estado esteve na localidade de Azotey e acompanhou a preparação dos militares para a operação. "Temos 40 homens preparados na comissaria", disse um oficial que há mais de um ano comanda o posto policial do entroncamento - que os paraguaios chamam de "cruce" - de acesso à Vila de Tacuati.


Medo


O local, protegido por trincheiras de sacos de terra, já foi atacado a tiros da guerrilha duas vezes, fica a menos de 6 km do local da batalha da manhã de anteontem. A tensão na área assusta brasileiros e seus descendentes, os brasiguaios, que vivem na região. No sequestro de Arlan, os epepistas foram surpreendidos por uma patrulha da FTC. No tiroteio, morreram dois deles: Bernardo Bernal, conhecido como tenente Coco, e Claudelino Silva - e um soldado das forças oficiais.


Com o sequestro de Arlan, são cinco os casos de extorsão pelos guerrilheiros - que dizem lutar contra o imperialismo, exaltam Solano Lopez e querem expulsar colonos estrangeiros. O primeiro sequestro do grupo para extorsão aconteceu em 2001. Maria Edith Debernardi foi capturada nos arredores de Assunção. Outros dois casos tiveram como vítimas os produtores rurais paraguaios Fidel Zavala e Luis Lindstron.


O sequestro mais dramático foi o de Cecília Cubas, de 32 anos, filha do ex-presidente Raúl Cubas Grau e da atual senadora Mirtha Gusinky. Cecília foi capturada pelo EPP em setembro de 2004. O corpo dela foi encontrado em um túnel em fevereiro de 2005. Pelo crime, a Justiça paraguaia condenou Alcides Oviedo Britez e a mulher dele, Carmen Villalba, a 35 anos de cadeia. Britez é o principal chefe do EPP e comanda a guerrilha da prisão. Depois do pagamento do resgate de Arlan, foi da cadeia que o condenado Britez anunciou que o rapaz passaria a ser moeda de troca por militantes do EPP que estão condenados.


"Com isso, o caso de Arlan passou a ter outra conotação política", resumiu na quinta-feira uma autoridade paraguaia. "E isso complicou muito o quadro, que já era grave", disse a fonte.


Nos últimos meses, por diversas vezes a família Fick pediu, em comunicados, que os guerrilheiros cumprissem com a promessa de soltar o rapaz. Mas a guerrilha emudeceu. Arlan é paraguaio de nascimento. Mas segue tradições brasileiras. É torcedor do Internacional de Porto Alegre, como o pai, Alcido, um colono de Santo Cristo, localidade gaúcha da fronteira com Santa Catarina, que migrou para Ponta Porã e, em 1982, foi viver de lavouras no Paraguai.

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Sem informação do filho, os Fick chegaram à beira do desespero. Alcido não dá entrevistas. Teme represálias. Na escola onde Arlan estudou, na Rota 3, uma faixa branca pede "Liberen a Arlan". As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.


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