A França reiterou, hoje, sua rejeição à idéia de ultimato ao Iraque. Reagindo ao encontro de cúpula no arquipélago português dos Açores, o ministro das Relações Exteriores da França, Dominique de Villepin, declarou que os líderes dos Estados Unidos, da Grã-Bretanha e da Espanha "tinham que se perguntar se uma guerra é realmente necessária".
Falando à rádio Europe 1, De Villepin disse ter ficado surpreso com o fato de os três líderes não terem mencionado as atuais inspeções de armas da ONU no Iraque, durante uma entrevista coletiva, após a cúpula de domingo. O ministro reiterou a posição francesa de que ainda é possível desarmar o Iraque pacificamente, observando que as inspeções da ONU estão funcionando.
Após uma hora de reunião com os primeiros-ministros da Grã-Bretanha, Tony Blair, e de Portugal, José Manuel Durrão Barroso; e o chefe de governo da Espanha, José Maria Aznar, o presidente dos Estados Unidos, George W. Bush, disse que Washington e seus aliados fariam um esforço final nesta segunda-feira para aprovar uma resolução no Conselho de Segurança da ONU dando ao Iraque um ultimato para se desarmar imediatamente ou sofrer um ataque.
"Amanhã (segunda-feira) determinaremos se a diplomacia pode funcionar ou não", afirmou Bush.
Ignorando esse prazo, a França pediu a convocação de uma reunião ministerial de emergência nas Nações Unidas, na terça-feira, para estabelecer um cronograma de desarmamento pacífico do Iraque.
De Villepin declarou à Europe 1 que a França – que detém poder de veto no Conselho de Segurança – "não pode aceitar resoluções contendo um ultimato ou autorizando o uso automático da força".
O ministro enfatizou que a atual crise é com o Iraque, e não entre a França e os Estados Unidos ou a Grã-Bretanha. E advertiu que "um país pode vencer uma guerra, mas é preciso mais de um país para conquistar a paz".