A Guerra no Iraque vai redesenhar o jogo de forças entre as grandes potências . A afirmação é do professor de Relações Internacionais da Universidade de Brasília (UnB) e doutor em História, Amado Cervo.
Ele acredita que a ofensiva dos Estados Unidos, com a colaboração do Reino Unido e Austrália, ao arrepio do veto do Conselho de Segurança da ONU, irá formar uma consciência dos governos e da opinião pública de todo mundo de que não é mais aceitável o papel hegemônico exercido por aquele país.
"De um lado teremos os Estados Unidos e uma espécie de anexo seu, a Grã-Bretanha. Do outro, a França, a Rússia e a China - potências estratégicas importantes, cuja capacidade somada pode, em certo sentido, medir-se com a capacidade norte-americana", avaliou.
Ele afirmou que o equilíbrio entre as nações do mundo terá papel fundamental nas relações internacionais pós-guerra EUA X Iraque. "Sim, porque a pior situação para o mundo é a do império único", enfatizou o professor.
Amado Cervo acrescentou que a organização de uma nova ordem mundial dependerá, também, de como árabes e mulçumanos reagirão diante da invasão do Iraque. "Como eles se organizarão daqui para frente, como serão as relações entre Israel e o povo palestino e como ficará o Iraque?", indagou.
Ele lembrou que a região do Oriente Médio, desde a derrocada do Império Otomano, nos meados do Século XV, é bastante conturbada e que as potências ocidentais sempre tiveram e continuam tendo muita dificuldade de relacionar com os países ali situados. "São nações que não adotam a organização e instituições que nós presumimos ser adequados para todo o mundo", refletiu.
No debate promovido pela NBR, canal a cabo da Radiobrás, Amado Cervo considerou "uma covardia" a utilização que os norte-americanos fizeram das prerrogativas do Conselho de Segurança da ONU. "Primeiro exigiram que a ONU promovesse o desarmamento do Iraque e, em seguida, sem o consentimento dela, atacaram"'.