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Venezuela

Hugo Chávez é reeleito e pode governar até 2019

BBC Brasil
08 out 2012 às 08:27
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O presidente da Venezuela Hugo Chávez foi reeleito na eleição presidencial deste domingo e pode permanecer no poder até 2019, quando deve totalizar 20 anos na Presidência.

Com um total de 90% de urnas apuradas, Chávez venceu por 54,42% (7,4 milhões de votos), contra 44,97%, (6,1 milhões de votos) de seu rival opositor Henrique Capriles, de acordo com o Conselho Nacional Eleitoral. "Obrigado meu Deus, obrigado a todas e todos", escreveu Chávez em seu perfil no twitter, imediatamente após o anúncio dos resultados.

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"Queremos destacar uma vez mais o comportamento cívico e democrático de todo o povo da Venezuela. Concluímos uma página brilhante na história democrática venezuelana", disse Tibisay Lucena, reitora do CNE. "Tivemos um processo eleitoral tranqüilo e sem sobressaltos".

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Após 14 anos no poder, Chávez se mantém invicto na disputa eleitoral, embora tenha enfrentado nesse domingo sua eleição mais difícil. O mandatário disse antes da divulgação do resultado que se saísse vitorioso levaria sua revolução a um ponto "irreversível".

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Apesar da derrota de Capriles, os números revelam que esse é o melhor desempenho eleitoral da oposição venezuelana desde que Chávez chegou ao poder.


A participação nas urnas foi de 80,94%, um recorde histórico num país onde votar não é obrigatório.

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Nestas eleições, a juventude foi um dos pólos de disputa dos candidatos. O número de eleitores que votaram pela primeira chegou a um milhão.


Comemoração

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Antes mesmo do anúncio do Conselho Nacional Eleitoral, simpatizantes do presidente já lotavam as ruas que cercam a sede do governo, no centro da cidade, para comemorar a vitória. Chávez era esperado no "balcón del pueblo" (sacada do povo), de onde costuma fazer discursos.


Após a divulgação do resultado era possível ouvir o barulho de fogos de artifício por toda Caracas. Espera-se que Chávez adote um tom conciliador para ganhar o reconhecimento da oposição e evitar uma crise interna, caso a ala radical opositora decida não reconhecer os resultados.

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Pouco antes do anúncio dos resultados oficiais Chávez uso esse recurso. "Foi uma jornada memorável, histórica", disse. "Não deveria ocorrer nada que manche o esforço e a vocação democrática que o povo demonstrou", afirmou.


"Chávez sim ficou; um só coração" - gritavam os membros da juventude do partido governista logo após escutar a mensagem do presidente, ainda antes dos resultados oficiais.

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No comando de campanha opositor, as caras de desânimo no final da noite revelavam a derrota antes mesmo do anúncio do CNE.


Em pronunciamento, Capriles reconheceu a derrota. "Nesta manhã disse que para saber ganhar é preciso saber perder, para mim o que o povo diz é sagrado". Mas, ele também ressaltou o fato de ter recebido mais de seis milhões de votos. "Nosso tempo chegará", afirmou.

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Oposição

Na opinião do analista político Luis Vicente León, da consultoria Datanalisis, apesar da vitória ser inferior à porcentagem de votos obtida por Chávez em 2006, (62,8%), a vitória de Chávez é "suficientemente ampla" para consolidar seu projeto socialista. "Chávez tende a capitalizar (sua eleição) para alcançar uma vitória maior nas eleições (para governadores) em dezembro e (para prefeitos) em abril", disse.


Na avaliação do analista político Carlos Romero, o desafio de Chávez para o próximo mandato é cumprir seu chamado à "reconciliação" e convocar a oposição para governar. "Há setores da classe média, do empresariado e da oposição que estariam dispostos a participar da vida política venezuelana se forem convidados pelo governo", afirmou.


Durante a semana, Chávez admitiu publicamente ter acionado seu ex-vicepresidente José Vicente Rangel para estabelecer "pontes" com a oposição, numa tentativa de evitar uma crise interna.

Horas antes do anúncio do resultado oficial, o vicepresidente Elias Jaua disse em entrevista à TV estatal que "já é hora de que se convençam que na Venezuela há uma revolução com caráter socialista, mas que em nenhum momento é uma mostra de totalitarismo", disse.


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