Dois chimpanzés e um hipopótamo foram recolhidos do Le Cirque e levados para o Zoológico de Brasília, na Operação Arca de Noé, realizada nesta terça (12) pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), junto com o Instituto Brasília Ambiental (Ibram), a defesa civil, a polícia ambiental e com o apoio técnico do zoológico brasiliense.
De acordo com a equipe de fiscalização do Ibama, foram constatadas situações de maus tratos, problemas de ordem sanitária e risco à segurança pública. "Nós estamos fazendo uma autuação por maus tratos constatados no Distrito Federal, em julho e agosto de 2008, pela equipe de fiscalização do Ibama de Brasília", explicou o coordenador de Operações de Fauna do instituto, Antônio Paulo de Paiva.
Os dois chimpanzés estão mutilados, sem nenhum dos dentes. Além disso, falta espaço para a acomodação dos animais; as girafas não conseguem, inclusive, esticar o pescoço quando estão embaixo da lona, no local onde ficam.
Também faltariam tanques com água para os elefantes e não havia nenhum obstáculo que pudesse impedir a saída dos animais com direção ao Eixo Monumental, que leva à Esplanada dos Ministérios. Além disso, de acordo com Paiva, alguns animais têm certificado de vacinação, mas nenhum está vacinado contra a raiva. A situação violaria o decreto 24.645/34 e a lei 9.605, que define os crimes ambientais.
O Le Cirque está na capital federal desde 24 de julho. Para realizar apresentações com animais, seria necessária uma autorização do Ibram, o órgão distrital do meio ambiente. De acordo com a lei distrital 4.060, de 2007, não é permitida a apresentação de animais em circos, salvo com laudo de que não há maus tratos. De acordo com o coordenador de operações de fiscalização, Roberto Cabral, quando o Ibama viu que havia apresentação dos animais, "por precaução" embargou a atividade do circo, no final de julho, até a decisão do Ibram.
O circo recorreu à Justiça Federal e obteve uma liminar, que diz não haver maus tratos. Um laudo elaborado a partir da fiscalização atesta o contrário. "Com base nesse laudo nós estamos procedendo agora à apreensão dos animais e autuação em relação a maus tratos", disse o coordenador.
Segundo ele, "baseado nessa questão de maus tratos e também na questão de segurança pública, nós achamos por bem apreender os animais e levar para um local em que eles vão estar acondicionados de forma adequada e com segurança, para evitar qualquer acidente".