A Igreja Anglicana votou nesta segunda-feira (7) a favor da ordenação de mulheres bispos, após um debate marcado pelas divergências entre conservadores e liberais, informou a rede britânica de televisão Sky News.
Mais de 1.300 sacerdotes ameaçavam deixar a Igreja Anglicana se o Sínodo Geral (corpo legislativo da igreja) aprovasse a polêmica iniciativa, provocando temores sobre um potencial cisma. O Sínodo General, por sua vez, recusou-se a adotar medidas de compromisso para compensar os religiosos contrários à ordenação de mulheres bispos.
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A votação aconteceu na cidade de York, no norte da Inglaterra, nas três câmaras do Sínodo. Os bispos se pronunciaram a favor por 28 votos a 12, o clero, por 124 a 44 e, os laicos, por 111 a 68, segundo o jornal britânico Times.
Todo o processo durou oito horas e foi acompanhado por calorosos debates entre as duas correntes.
Além da decisão sobre a permissão para que mulheres sejam ordenadas bispo, o Sínodo decidiu contra a criação de três "superbispos" masculinos e de novas dioceses para as paróquias que não quiserem aceitar mulheres bispos.
Mais de mil sacerdotes anglicanos escreveram ao arcebispo de Canterbury e primaz anglicano anunciando sua decisão de romper com a Igreja da Inglaterra, igreja mãe da comunidade anglicana, caso o bispado feminino não fosse vetado no Sínodo.
A Igreja Anglicana reúne cerca de 77 milhões de fiéis.
Para os conservadores, práticas como a ordenação de mulheres bispos e a aceitação de clérigos homossexuais - tema que também causou polêmica no seio da religião nos últimos anos - geram dúvidas quanto à interpretação dos textos sagrados da Bíblia.
Os liberais, no entanto, argumentam que chegou a hora de tentar uma abordagem mais abrangente.