"Apesar da má formação, trata-se de um ser humano. Entendemos que o feto anencefálico não tem condições de sobrevivência fora do útero materno, mas se trata de um ser vivo", disse Dom Odilo Sherer, secretário-geral da Confederação Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), que participou do programa "Diálogo Brasil", desta quinta-feira.
Durante o debate sobre a decisão do Supremo Tribunal Federal de liberar a interrupção da gravidez nesses casos, o presidente da União dos Juristas Católicos, Paulo Leão, seguiu a linha de raciocínio de Dom Odilo. "Como em outros casos envolvendo o aborto, há uma vida humana que deve ser respeitada, sem se considerar a possibilidade de duração maior ou menor dessa vida. A dignidade da pessoa humana prescinde a duração de sua vida", disse.
Receba nossas notícias NO CELULAR
WHATSAPP: As regras de privacidade dos grupos são definidas pelo WhatsApp.Ao entrar, seu número pode ser visto por outros integrantes do grupo.
O ginecologista e deputado federal José Pinotti informou que de cada mil partos, um é anencefálico. Mas acrescentou que as estatísticas não são seguras, porque ocorrem abortos durante o período de gestação. A causa da doença, segundo ele, está relacionada à falta de ácido fólico, ocorrendo em pessoas que sofrem de desnutrição ou não se alimentam adequadamente.
Segundo Débora Diniz, doutora em Antropologia e pós-doutora em Bioética, nenhuma mulher das que acompanhou teria se arrependido de interromper a gravidez neste caso. "Nós não temos anencéfalos entre nós. Chamar de criança alguém que vive por sete minutos é uma tortura para as mães. O que essas mulheres precisam é de conforto espiritual neste momento", disse.
Informações da ABr