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Indagação sobre morte de Jean Charles será nesta segunda

AFP
31 dez 1969 às 21:33

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A esperada indagação pública sobre a morte do brasileiro Jean Charles de Menezes, morto a tiros por engano em um metrô de Londres em julho de 2005, em um dos mais trágicos episódios na guerra da Grã-Bretanha contra o terrorismo, será finalmente iniciada na segunda-feira em Londres.

A morte de Jean Charles, que sua família classifica de "assassinato", será aberta 1.156 dias depois que o eletricista de 27 anos foi crivado com sete tiros na cabeça por dois agentes da Polícia, que confundiram o imigrante brasileiro com um terrorista suicida.

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A indagação será realizada na sala John Mayor, situada em um famoso campo de críquete do sul de Londres, não muito distante da estação de metrô de Stockwell onde o jovem foi morto, duas semanas depois dos atentados contra o sistema de transportes públicos londrino nos quais morreram 52 pessoas e no dia seguinte a uma série de atentados frustrados na capital britânica.


Este campo de críquete oval, construído há 140 anos, será palco da indagação judicial de um dos episódios mais dramáticos e traumatizantes para os britânicos, que terá a presença da mãe de Jean Charles, Maria, indicaram familiares.


Cinqüenta policiais prestarão depoimento de maneira anônima sobre o que aconteceu no dia 22 de julho de 2005, quando o brasileiro, que como todos os dias ia para o trabalho, foi morto à queima-roupa, em um vagão do metrô londrino.


Pela primeira vez, prestarão depoimento diante de uma corte os dois agentes da Scotland Yard que atiraram em Jean Charles, que são conhecidos apenas como "os atiradores".


A indagação judicial do imigrante brasileiro é parecida com a que foi realizada para esclarecer a morte da princesa Diana de Gales e de seu noivo, Dodi al-Fayed, que concluiu em abril passado que a morte do casal tinha sido um acidente, não um assassinato.


Esse tipo de investigação pública -um procedimento jurídico específico na Inglaterra e em Gales- tem como objetivo determinar as causas de uma morte em caso de circunstâncias violentas ou não esclarecidas.


Não é um processo, nem será pronunciada condenação alguma, mas as conclusões do júri podem ser a base de outras iniciativas legais, como exigir que os culpados prestem contas à Justiça se o júri concluir que a morte foi um assassinato.


"Até agora, a família foi excluída do processo", ressaltou Khan, afirmando que a investigação pública que começa na segunda-feira, e deverá durar três meses, será a primeira oportunidade para que os parentes do jovem brasileiro exponham suas interrogações a respeito das circunstâncias de sua morte.


A família espera que o júri cidadão "conclua que sua morte foi um assassinato", disse Khan.


"Depois disso, a Promotoria deverá revisar sua decisão de não processar agentes individuais", assim como a decisão de não adotar sanções disciplinares, explicou.


No julgamento desse caso realizado no ano passado, a Polícia foi declarada culpada coletivamente de não respeitar as normas de segurança e multada em 175.000 libras (252.000 euros, 364.000 dólares), embora nenhum dos envolvidos tenha sido acusado pessoalmente.


A família pede insistentemente a renúncia do chefe da Polícia Metropolitana, Ian Blair, que permanece em seu posto, apesar de a Scotland Yard ter sido declarada culpada por um tribunal de Londres e depois de a Comissão Independente de Queixas contra a Polícia (IPCC, siglas em inglês) tê-la criticado diretamente.


Em novembro passado, um relatório dessa Comissão criticou a Polícia Metropolitana de Londres pela morte de Jean Charles, afirmando que "poderia ter sido evitada".


A Comissão que investigou o fato, como acontece com todas as mortes ocorridas em ações da forças de segurança, indicou vários erros na operação e indicou que o chefe da Scotland Yard tentou impedir a investigação.

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Até agora, nenhum oficial da Polícia -nem seu maior chefe, nem os quase 20 agentes que participaram da operação, nem mesmo os policiais que apertaram o gatilho- foram processados, e por isso a família exige que prestem contas à justiça.


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