O assessor do presidente iraquiano Saddam Hussein para assuntos científicos, Amer al-Saadi, sugeriu, neste domingo, que o Iraque poderá interromper a destruição dos mísseis Al Samoud 2 se os Estados Unidos sinalizarem que atacarão.
"Se ficar claro, neste mês, que os norte-americanos não seguirão pelo caminho legal, então por que nós devemos continuar?", declarou Al-Saadi, durante uma entrevista coletiva em Bagdá em que anunciou a destruição de mais seis mísseis.
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Obedecendo à determinação do chefe dos inspetores de armas das Nações Unidas, Hans Blix, que havia estipulado o prazo de 1.º de março, o Iraque começou a destruir seus mísseis Al Samoud 2 neste sábado.
Até o momento, dez dessas armas e uma câmara de fundição usada para sua fabricação já foram destruídos, segundo Al-Saadi. A ONU estima que o Iraque possua 120 Al Samoud 2 e, de acordo com Demetrius Perricos, o vice de Blix, sua destruição pode levar semanas.
"Como vocês podem ver, há uma cooperação ativa do lado iraquiano", afirmou Al-Saadi. "Praticamente todas as áreas de preocupação da Comissão de Monitoração, Verificação e Inspeção da ONU (Unmovic) e temas de questões de desarmamento remanescentes foram abordados. Nós esperamos que isso seja satisfatório para a Unmovic."
Al-Saadi argumentou que não permitiu que a destruição dos mísseis fosse filmada ou fotografada – apesar do potencial impacto positivo de tais imagens na opinião pública mundial – porque poderiam ser vistas como uma humilhação muito grande pelo povo iraquiano. "É muito duro, inaceitável. Por essa razão não divulgamos imagens", disse.
Al-Saadi também observou que o processo de inspeções da ONU é mais barato do que uma guerra para desarmar o Iraque. "A Unmovic custa 80 milhões de dólares por ano. Uma guerra custaria 80 bilhões de dólares, mais o derramamento de sangue nos dois lados", ressaltou.
"O desarmamento pacífico não custaria nada para o contribuinte norte-americano porque é o programa 'petróleo-por-alimentos' iraquiano que financia a Unmovic."
Pelo programa 'petróleo-por-alimento' estabelecido pelas Nações Unidas, a receita gerada pela exportação de petróleo iraquiano é usada para a importação pelo país de alimentos, itens de ajuda humanitária e o pagamento de obrigações iraquianas relativas à Guerra do Golfo, de 1991.
As informações são da CNN com Associated Press.