Sem apoio do seu partido e sofrendo duras críticas da oposição, o presidente do Paraguai, Nicanor Duarte Frutos, não conseguiu que seu pedido de renúncia fosse votado nesta terça-feira pelo Congresso do país.
Por falta de quórum, os congressistas não analisaram o pedido, o que significa que o presidente não pode deixar seu cargo.
Duarte está tentando reunir apoio para uma nova votação na quinta-feira, mas há o risco de que o boicote dos partidos da oposição não permita que isso aconteça.
Oposição
O atual mandatário foi eleito senador nas eleições do dia 20 de abril, na qual o ex-bispo católico Fernando Lugo foi eleito para a Presidência - colocando fim a seis décadas de hegemonia do Partido Colorado no governo paraguaio.
O plano de Duarte é passar o cargo para o vice-presidente Francisco Oviedo até que Lugo tome posse em 15 de agosto. Entretanto, legisladores de dois partidos de oposição, a Aliança Patriótica para Mudança (APC, na sigla em espanhol) e o Partido Pátria Querida (PPQ) se recusam a apoiar a estratégia.
Os dois partidos consideraram a candidatura de Duarte ao Senado "ilegítima". Segundo as agremiações, o presidente não deveria ter tentado o cargo no Senado, pois a Constituição determina que ele deva se dedicar exclusivamente às suas funções como chefe de Estado.
Justiça
Apesar de ser considerada inconstitucional, a candidatura de Duarte para o Congresso foi garantida pela Justiça. O presidente conseguiu que a Suprema Corte do Paraguai o habilitasse para pleitear o cargo, que lhe dá direito a voto no Senado.
A Constituição paraguaia reserva para os ex-presidentes uma cadeira vitalícia no Senado. Eles têm o direito de se manifestarem, mas não têm direito a voto.