O Exército israelense lançou 50 ataques aéreos contra a Faixa de Gaza na noite deste sábado (17), em meio às expectativas de que o governo aprove uma trégua unilateral e ponha fim à incursão no território palestino.
Um dos bombardeios atingiu uma escola das Nações Unidas em Beit Lahiya, no norte de Gaza, onde mais de mil pessoas estavam abrigadas. Duas crianças morreram e pelo menos 14 pessoas ficaram feridas.
Um porta-voz do ministério do Exterior israelense, Yigal Palmor, disse que militantes do grupo palestino Hamas estão usando prédios onde civis estão abrigados para lançar ataques contra Israel.
O porta-voz voz Agência de Ajuda da ONU aos Refugiados Palestinos (UNWRA, na sigla em inglês), Chris Gunness, pediu uma investigação para apurar se a incursão israelense em Gaza deve ser considerada como "crime de guerra".
O representante do Hamas no Líbano, Osama Hamdan, reagiu neste sábado à notícia de que Israel poderá declarar trégua em Gaza, dizendo que o grupo "manterá os confrontos se suas exigências não foram atendidas".
"Ou temos o que estamos pedindo ou o resultado será a continuação do confronto", disse ele em Beirute.
O Hamas insiste que um cessar-fogo precisa incluir a retirada das tropas israelenses de Gaza e uma suspensão imediata do bloqueio imposto por Israel ao território.
A proposta egípcia, que Israel deve analisar esta noite, obriga o Exército israelense a suspender seus ataques por dez dias, mas lhe dá o direito de permanecer em Gaza e manter as passagens fronteiriças fechadas.
"Ato final"
Na sexta-feira, o porta-voz do governo de Israel, Mark Regev, disse que houve progresso suficiente nas conversações na capital egípcia, Cairo, para que Israel aceite um cessar-fogo na Faixa de Gaza.
"A diplomacia está agora em marcha acelerada. Espero que estejamos entrando no ato final (da ofensiva)", disse Regev. "Esperamos que isso termine o mais rápido possível."
As principais exigências de Israel são o fim do lançamento de foguetes por militantes palestinos em seu território, e a criação de mecanismos que impeçam o contrabando de armas do Egito para a Faixa de Gaza. Os israelenses temem que o grupo militante palestino Hamas volte a se armar no caso de um cessar-fogo na região.
Esta segunda exigência pode ter sido atendida com um acordo fechado mais cedo entre Israel e os Estados Unidos.
A ministra das Relações Exteriores de Israel, Tzipi Livni, e a secretária de Estado americana, Condoleezza Rice, assinaram um memorando de entendimento em Washington no último dia de Rice no cargo, que determina medidas de cooperação em inteligência e logística entre os dois países para cortar o envio de armas para Gaza.
O documento, que ainda não teve todos os seus detalhes revelados, também enfatiza a necessidade de medidas de cooperação internacional e regional para evitar que armas também cheguem a Gaza por via marítima.
Sofrimento
A secretária de Estado americana afirmou que os Estados Unidos estão procurando "colocar um fim no sofrimento dos palestinos atingidos pelos conflitos entre o Hamas e Israel".
"Os Estados Unidos continuam profundamente preocupados com os palestinos inocentes que estão sofrendo em Gaza", disse Rice. "Um fim sustentável das hostilidades - no lugar de um que entre em colapso em poucos dias ou semanas - é crucial para acabar com este sofrimento."
Fontes dos serviços de saúde palestinos dizem que pelo menos 1.107 pessoas morreram e 5,1 mil ficaram feridas desde o início da ofensiva, em 27 de dezembro.
Do lado israelense, 13 pessoas morreram, sendo três delas civis, segundo o Exército do país.