A junta militar que governa Mianmar estimulou nesta sexta-feira (30) os desabrigados pelo ciclone Nargis a comer rãs, ao invés de aceitar as barras de chocolate enviadas pela comunidade internacional, que os militares consideram mesquinha em termos de ajuda financeira, quatro semanas depois da tragédia.
O jornal oficial 'New Light of Myanmar' estranha o fato de apenas 150 milhões de dólares terem sido prometidos pelos países doadores, enquanto o governo calcula em 11 bilhões de dólares a quantia necessária para enfrentar as necessidades de reconstrução.
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O diário critica as nações que condicionaram qualquer ajuda financeira ao livre acesso das organizações humanitárias internacionais ao delta de Irrawaddy, a região mais afetada pelo Nargis.
Rãs comestíveis em abundância
"A população de Mianmar é capaz de se recuperar da catástrofe, mesmo sem a ajuda internacional", afirma o jornal, antes de acrescentar que os habitantes das zonas costeiras devastadas "podem facilmente procurar pescado" e que no "caso do início das monções há grandes rãs comestíveis e em abundância".
"Os habitantes podem sobreviver contando com eles mesmos, inclusive se não receberem as barras de chocolate da comunidade internacional", destaca o jornal estatal, para o qual autorizar voluntários estrangeiros a viajar livremente ao delta seria conceder aos doadores "permissão para entrar em todas as casas quando quiserem".