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Júri dá veredicto 'inconclusivo' para caso Jean Charles

31 dez 1969 às 21:33

O júri do inquérito que investiga as circunstâncias da morte do brasileiro Jean Charles de Menezes em Londres deu o veredicto de inconclusivo ao caso, nesta sexta-feira (12), depois de passar sete dias reunido em deliberações.
Um advogado da família diz que o veredicto foi o melhor que a família podia esperar, depois das limitações impostas pelo juiz-legista.

Através de representantes da família em Londres, a mãe de Jean Charles disse em uma mensagem que está "muito contente" com a decisão do júri.


No último dia 2, Michael Wright, o legista que preside o inquérito, havia dito que o júri não poderia considerar o veredicto de "homicídio injustificado" ("unlawful killing").


Segundo Wright, não havia provas suficientes apontando que qualquer um dos envolvidos tenha matado Jean Charles de forma ilegal. Com isso, os dez jurados tiveram duas opções: decidir que houve "lawful killing" (ou seja, que a morte ocorreu como decorrência de ações que não feriram a lei; morte não-criminosa) ou optar ainda por um "open verdict" (veredicto inconclusivo).


Eventos


Os jurados deveriam responder com "sim" ou "não" a 12 afirmações específicas sobre uma série de eventos ocorridos do dia 22 de julho de 2005, para decidir se eles contribuíram ou não para a morte do brasileiro.


A maioria do júri disse duvidar que o policial conhecido como C12 tivesse gritado "polícia armada" para advertir Menezes antes de abrir fogo. Os jurados também discordaram da alegação feita por C12 durante o inquérito de que o brasileiro teria se levantado e se dirigido a ele, mesmo com uma arma apontada para sua cabeça.


Eles ainda rejeitaram a afirmação de que o comportamento de Menezes havia levantado suspeitas.


'Erro terrível'


Após o anúncio do veredicto, o chefe-em-exercício da Polícia Metropolitana de Londres, Paul Stephenson, disse que a morte de Menezes foi "um erro terrível" que ele "lamenta profundamente".


"Ele era inocente, e nós precisamos assumir total responsabilidade por sua morte", afirmou.


Segundo Stephenson, a polícia agora "aprendeu a diminuir a chance de algo parecido ocorrer novamente".


Este foi o quinto inquérito sobre a morte de Jean Charles realizado na Grã-Bretanha.


O júri ouviu o depoimento de cem testemunhas desde que o inquérito começou, em setembro, em Londres.


Jean Charles de Menezes foi morto pela polícia de Londres em uma estação de metrô da capital britânica, em julho de 2005, ao ser confundido com um suspeito de tentativas de atentado ocorridas no dia anterior.

Em julgamentos anteriores, a polícia recebeu uma multa de 175 mil libras, mas nenhum envolvido foi considerado culpado.


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