Um dia depois de eleito presidente do Paraguai, o ex-bispo católico do Fernando Lugo disse que vai criar um equipe técnica para discutir "um preço justo" para a energia de Itaipu que o Brasil compra do Paraguai.
Lugo também disse que espera abrir uma "mesa de diálogo de técnicos" com o Brasil o "mais rápido possível".
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"As primeiras medidas são as de formar um equipe técnica. Assim como conversamos com o presidente Lula, e ele mostrava sua disposição, independente das posturas diversas confrontadas", disse Lugo.
Nesta segunda-feira, em Gana, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse que o tratado "não muda".
Mediação
Questionado sobre o que faria se não houvesse entendimento com o governo brasileiro, Lugo levantou a possibilidade de convidar um terceiro país da região para atuar como mediador.
Na entrevista a jornalistas brasileiros nesta segunda-feira, Lugo procurou adotar um discurso moderado e disse que não recorrerá a nenhum tribunal internacional até "esgotar" a negociação com o Brasil.
Lugo também procurou evitar comparações com o presidente Evo Morales, que nacionalizou o setor de gás e petróleo na Bolívia e usou o Exército para cercar refinarias da Petrobras. "Acho que temos uma diferença. O tratado que temos com o Brasil é binacional. A Bolívia não tinha um tratado binacional, era um acordo com uma empresa", disse Lugo.
Governabilidade
Fernando Lugo foi eleito nesse domingo pela Aliança Patriótica para a Mudança (APC), tirando o Partido Colorado do poder pela primeira vez em 61 anos.
Apesar disso, ele diz não acreditar em problemas de governabilidade e se diz disposto a negociar. "Acho que agora chega o momento das grandes conversas, de alianças, dentro da aliança e no Parlamento, para que essa governabilidade seja mais eficiente."
Segundo Lugo, até a posse no dia 15 de agosto, será criada uma comissão de transição, com membros de sua equipe e do atual governo.