O presidente Luís Inácio Lula da Silva respondeu na noite de terça, em Pelotas (RS), às primeiras críticas do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso ao seu governo.
Em tom de discurso, durante a 11ª Feira Nacional do Doce, Lula foi duro em seu contra-ataque. "O país estava quebrado e alguém tem que salvar este país", disse ele.
Na segunda-feira, o ex-presidente havia dito em entrevista ao site do PSDB que os eleitores de Lula deveriam estar desiludidos com o rumo do atual governo e classificou como "exagerada" a política de juros do governo.
Sem citar o nome de FHC, mas fazendo diversas referências a ele durante todo o discurso, Lula disse que não pode falhar, porque "não poderá ir para Paris" depois do fim de seu governo, como fez Fernando Henrique.
"Qualquer outro podia errar. Eu não posso. Porque qualquer outro que errasse e não desse certo, ia morar uns meses na França. Eu tenho que ficar em São Bernardo, a 600 metros do Sindicato dos Metalúrgico onde eu fui parido", disse Lula.
O presidente chegou a ser vaiado durante seu discurso, no momento em que falou da reforma da Previdência e condenou as condições diferenciadas de aposentadoria dos funcionários públicos em relação aos outros trabalhadores.
As vaias partiram de cerca de cem trabalhadores da Previdência Social, Saúde, Justiça Federal e do Trabalho. Eles formavam cerca de um quinto da platéia, que se dividiu entre vaias e aplausos durante todo o discurso do presidente.