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MPT liberta 1,1 mil trabalhadores em fazenda no Pará

Redação Bonde
03 jul 2007 às 11:11

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Alojamentos lotados, falta de água, comida estragada e salários atrasados. Essas são algumas das condições sob as quais foram encontrados 1,1 mil empregados em uma fazenda no Pará. O Ministério Público do Trabalho (MPT) informou nesta segunda-feira (2) que foi a maior libertação de trabalhadores em condição análoga à de escravos do país.

Em 2005, foram encontrados mil trabalhadores pelo Grupo Móvel de Combate ao Trabalho Escravo em condições semelhantes na fazenda Gameleira, em Mato Grosso. Nos dois casos, os empregados atuavam no corte e plantio de cana-de-açúcar para produção de biocombustível. As informações são da Agência Brasil.

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A fazenda onde foram libertados os 1,1 mil trabalhadores fica em Ulianópolis, a 250 quilômetros de Belém, e pertence à empresa Pará Pastoril e Agrícola S.A. Os proprietários devem aos empregados R$ 1,8 milhão, de acordo com os cálculos da fiscalização. Segundo Humberto Célio, auditor e coordenador do Grupo Móvel, o pagamento deve começar nesta terça-feira (3).


Célio contou que foram notificadas diversos tipos de irregularidades nessa fazenda: "Esgoto a céu aberto e superlotação no alojamento, que tinha mau cheiro e onde as pessoas dormiam umas sobre as outras, em redes". E que com isso muitos trabalhadores adoeciam: "Tinha muita gente doente, com diarréia e náuseas, por exemplo, devido à comida estragada e à água ruim". Em relação à jornada de trabalho, o auditor disse que "os trabalhadores acordavam às 3 horas e só voltavam às 17 horas, em ônibus caindo aos pedaços ou obrigados a se deslocar por quilômetros a pé".


Localizados há uma semana, segundo Célio, os trabalhadores libertados são, na maioria, dos estados do Maranhão e Piauí. Segundo o depoimento deles, destacou, não era a primeira vez que trabalham na fazenda, mas "estavam lá com a perspectiva de encontrar uma situação melhor e poder mandar dinheiro para casa". As dívidas com os fazendeiros, no entanto, eram sempre maiores que os salários e eles acabavam em dívida com os patrões.


O auditor informou ainda que os descontos com alimentação e medicamentos não permitiam aos empregados receber o salário prometido, de cerca de R$ 200. "No final do mês, não tinham direito a nada. Tinha gente com saldo de R$ 2 ou R$ 10. E também os que estavam devendo para o mês seguinte. Isso era o normal lá", disse.

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A empresa Pará Pastoril e Agrícola S.A. é apontada pelo Grupo Móvel como uma das maiores produtoras de álcool combustível do estado, com venda garantida para grandes distribuidoras do país.


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