O presidente do Zimbábue Robert Mugabe, reeleito neste domingo (29) à liderança do Estado depois de uma controvertida eleição sem adversários, expressou sua esperança de um rápido diálogo com a oposição, em seu discurso ao tomar posse do cargo.
"Tenho a esperança que dentro em pouco realizaremos consultas entre os partidos políticos de diferentes opiniões a fim de instaurar um diálogo sério que modere nossa diferenças e resulte numa era de unidade e de cooperação", declarou Mugabe.
No total, Mugabe ganhou 2.150.269 de votos, contra 233.000 do adversário Morgan Tsvangirai.
Os resultados de cada uma das dez províncias seguiu o mesmo padrão, o que era previsível já que Mugabe não tinha qualquer adversário desde que o líder da oposição Morgan Tsvangirai desistiu, após a repressão contra os seus partidários.
A participação oficial não chegou à metade dos 5,9 milhões de eleitores inscritos nos registros de votação (42,37%).
Mugabe, de 84 anos, sendo que há 28 no poder, tomou posse sem demora durante uma cerimônia organizada de acordo com os costumes da antiga potência colonial britânica, com disparos de canhão e fanfarra.
Oposição
A oposição criticou mais uma vez o segundo turno eleitoral.
"É uma farsa completa e um ato de desespero do regime", disse à AFP o porta-voz do partido da oposição Movimento para a Mudança Democrática (MDC), Nelson Chamisa.
"Essa reeleição poderia ser incluída no Livro Guinness de Recordes como a piada do ano", acrescentou.
Chamisa informou ainda que o líder oposicionista Morgan Tsvangirai foi convidado para a cerimônia de posse de Mugabe, o que foi confirmado pelo ministério da Informação.
"É claro que ele não vai assistir à cerimônia", afirmou Chamisa.
Tsvangirai, que venceu de Mugabe no primeiro turno de 29 de março, retirou sua candidatura, há uma semana, como resposta a repressão contra os seus partidários. Em função disso, o Ocidente classificou essas eleições de "farsa eleitoral".
A oposição também reagiu friamente ao pedido de diálogo lançado por Mugabe.