O candidato democrata Barack Obama foi eleito presidente dos Estados Unidos e entrou para a História como o primeiro negro a chegar ao comando da Casa Branca, ao derrotar o adversário republicano John McCain.
"A mudança chegou à América", afirmou o presidente eleito em um discurso para mais de 100.000 pessoas em um parque de Chicago, a cidade onde reside, onde chegou acompanhado da esposa Michelle e das filhas Malia, 10 anos, e Sasha, de sete.
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"Esta noite, graças ao que fizemos hoje, nesta eleição, neste momento histórico e de definição, a mudança chegou à América", disse Obama.
"A votação é a resposta de jovens e velhos, ricos e pobres, democratas e republicanos, negros, brancos, hispânicos, asiáticos, nativos americanos, gays, deficientes e não deficientes", acrescentou Obama, ao mesmo tempo que saudou o oponente derrotado.
Palavras de McCain
O candidato republicano aceitou a derrota minutos depois das emissoras de televisão americanas apontarem Obama, de 47 anos e senador por Illinois, como vencedor das eleições após o fechamento das urnas na Califórnia, um dos estados de maior peso eleitoral do país.
"O povo americano falou e falou claramente. Há alguns instantes, tive a honra de telefonar para o senador Barack Obama para felicitá-lo por sua eleição como próximo presidente do país que ambos amamos", disse o senador McCain, de 72 anos, em discurso para seus seguidores reunidos em Phoenix, Arizona.
"Senhor presidente eleito, meus cumprimentos. Que fantástica noite para você, sua família e seus seguidores. Laura e eu queremos felicitá-lo", disse Bush, que entregará o cargo no dia 20 de janeiro.
Votação
Obama será assim o 44º presidente dos Estados Unidos.
As projeções das emissoras de televisão foram mostrando pouco a pouco a ampliação da vantagem do candidato democrata na disputa.
Ao vencer na Califórnia, Obama conseguiu uma vantagem suficiente no número de grandes eleitores no colégio eleitoral, que é quem realmente escolhe o presidente dos Estados Unidos. O número mínimo de representantes necessário é de 270 e Obama superou a barreira com facilidade, com 349 contra 162 de McCain, segundo as últimas projeções dos canais de TV.
O senador democrata venceu nos muito almejados estados da Pensilvânia e de Ohio, onde a previsão era de disputa acirrada, além de outros distritos de grande peso eleitoral como seu estado de Illinois, Nova York e Flórida.
Para McCain, que venceu em estados importantes como Geórgia e Texas, a diferença se tornou inalcançável.
Como fica
A vitória de Obama representa uma mudança de geração à frente do governo central dos Estados Unidos. Também marca uma importante derrota do Partido Republicano, que perdeu a presidência e várias cadeiras nas eleições legislativas.
Segundo a imprensa americana, os democratas terão entre 52 e 54 cadeiras no Senado, acima da atual maioria de 51-49 graças a dois parlamentares independentes que votam com o partido.
Na Câmara de Representantes, os democratas terão uma maioria cômoda, de 237 a 148 cadeiras, segundo o site especializado realclearpolitics.com. O número representaria mais de 15 novos representantes democratas no Congresso.
Herda uma crise
A crise econômica sem precedentes desde os anos 1930 que afeta os Estados Unidos e a reduzida popularidade do presidente Bush diminuíram muito as chances dos republicanos, abrindo espaço para a oposição.
Obama, que assumirá o cargo em 20 de janeiro de 2009, herdará um país comprometido em duas guerras, no Iraque e Afeganistão.
O futuro presidente e seu vice-presidente, o senador por Delaware Joe Biden, prometeram uma retidada gradual do Iraque em 16 meses e concentrar o combate contra a rede terrorista Al-Qaeda e os talibãs no Afeganistão.
O candidato democrata perdeu na segunda-feira a avó materna Madelyn Dunham, que faleceu de câncer aos 86 anos.
Obama, nascido em 4 de agosto de 1961 no Havaí, de um pai negro queniano e mãe branca americana, já recebeu vários cumprimentos de chefes de Estado de todo o planeta, como o primeiro-ministro britânico Gordon Brown, o presidente francês Nicolas Sarkozy, a chanceler alemã Angela Merkel, o presidente chinês Hu Jintao, o primeiro-ministro japonês Taro Aso, entre outros.