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Papa Bento XVI defende os direitos humanos na ONU

31 dez 1969 às 21:33

O Papa Bento XVI fez um histórico discurso nesta sexta-feira (18) na Assembléia Geral da ONU, em Nova York, no qual defendeu com ardor os direitos humanos e o multilateralismo com um apelo por mais diálogo entre as culturas.

Vestido com a tradicional túnica branca, o pontífice de 81 anos de idade se dirigiu aos 192 membros das Nações Unidas, lembrando-os do dever de proteger seus povos contra o abuso dos direitos humanos. "Todos os países têm o dever primário de proteger sua própria população de graves e constantes violações dos direitos humanos", disse Bento XVI, diante de uma assembléia lotada.


Essa foi sua primeira visita à sede da ONU desde o início de seu pontificado, há três anos.


"Se os países são incapazes de garantir essa proteção, a comunidade internacional deve intervir através dos meios jurídicos disponíveis nas Nações Unidas", continuou o papa, teólogo de formação, num tom acadêmico.


A fala de Bento XVI na ONU foi um dos destaques de sua primeira viagem aos Estados Unidos como pontífice. Desde terça-feira, quando chegou ao país, ele apresentou uma atitude inédita em relação aos recorrentes abusos sexuais de jovens por padres católicos americanos, desculpando-se publicamente e reunindo-se com vítimas dos assédios.


Em seu discurso no ONU, o líder espiritual de 1,1 bilhão de católicos em todo o mundo exaltou a virtude do "consenso multilateral", mas afirmou que este "continua em crise por ser ainda subordinado a decisões de poucos, enquanto os problemas do mundo pedem intervenções na forma de ações coletivas".


Assuntos como segurança, desenvolvimento, desigualdade global e mudanças climáticas "exigem que todos os líderes mundiais atuem de maneira conjunta e demonstrem sua prontidão em trabalhar de boa-fé, respeitando as leis e promovendo a solidariedade em relação às regiões mais frágeis do planeta", declarou o Papa.

Bento XVI prosseguiu advertindo, no entanto, que qualquer ação por parte da comunidade internacional deve respeitar "os princípios que orientam a ordem internacional", que por sua vez "não devem jamais ser interpretados como uma imposição desautorizada ou uma limitação da soberania".


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