O problema da segurança pública é estrutural e não existe uma fórmula para resolver, de imediato, a violência no Brasil. A opinião é do sociólogo da Universidade de Brasília (UnB) Flávio Testa, ao criticar nesta segunda-feira (12) a falta de prioridade para o setor, seja do Legislativo ou do governo federal. Em entrevista à Agência Brasil ele lembrou que o tema só é objeto de discussão quando um fato específico, que comove o país, acontece, como o assassinato do menino João Hélio, no Rio de Janeiro.
"É impossível você corrigir um problema de desvio estrutural em menos de uma década. Se não começarmos a fazer isso imediatamente, com coordenação estratégica entre todos os poderes, nós não teremos um bom resultado para as próximas gerações", advertiu Testa.
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O sociólogo denunciou que o governo federal utiliza os recursos destinados à segurança pública para fazer "um jogo político". A seu ver, "segurança pública deveria ser traduzida como paz social", e lamentou que o tema não tenha sido prioridade do governo passado (FHC) e pelo atual.
"A nossa preocupação é uma tragédia pior do que essa que aconteceu com o João Hélio venha acontecer daqui a 15 dias e o João Hélio vai virar história. Este é o problema", alertou Testa.
A segurança pública é um problema estrutural que envolve questões de fronteiras, que precisam ser enfrentadas para combater a globalização do crime, disse. "O Brasil está sempre a reboque do crime, agindo reativamente".