A mistura explosiva de cocaína, álcool e falta de trabalho está provocando uma rápida deterioração da vida e dos costumes em uma área indígena na cidade amazonense de Tabatinga e levando dezenas de índios ao suicídio. A avaliação é do cacique Manoel Nery Tikuna, que chefia a aldeia Umariaçu 2.
De 2001 para cá, segundo ele, mais de 40 jovens se mataram na aldeia, que abriga 3.640 índios da etnia Tikuna, às margens do Rio Solimões. "Isso é uma coisa que entristeceu a comunidade", comenta o líder tikuna. "Essa droga nós não conhecíamos. Chamam de papeleta. Eles têm desejo e compram. Vendem enrolado em um papel e eles usam", diz o chefe da aldeia sobre a cocaína. Segundo o cacique tikuna, um em cada cinco jovens da aldeia usa drogas.
Baseado nesses fatos, o delegado do Polícia Federal de Tabatinga, Giovani Vicente Fontes Lopes, determinou abertura de investigação sobre o tráfico e consumo de drogas em aldeias indígenas da região. "Esse é um fato novo, que vai ser investigado a fundo, pois é uma informação gravíssima, de consumo e venda de substância entorpecente em comunidades indígenas", afirmou.
Ele adiantou que serão determinadas operações e diligências para confirmar as informações, investigar e prender quem estiver traficando para os indígenas nas aldeias.
Apreensões
O delegado geral de Polícia Civil do Amazonas, Vinícius Diniz, apresentou o resultado de uma série de ações desencadeadas nos últimos dias para reprimir quadrilhas de traficantes que agem na região do Alto Solimões, principalmente em Tabatinga.
a operação deflagrada nos municípios de Benjamin Constant e Tabatinga foi o desdobramento da ação que levou à descoberta de plantações de coca, na semana passada, junto ao rio Javari.
Na operação, foram apreendidas 10 armas, drogas, dinheiro, cinco computadores e livros-caixa com a movimentação do tráfico.