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Portugal deve pedir adiamento da reforma ortográfica

Redação Bonde
14 nov 2007 às 17:49

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O governo de Portugal deve pedir aos outros sete países de língua portuguesa que a reforma ortográfica, que pretende unificar a escrita do português, seja adiada em dez anos.

A decisão foi divulgada pela ministra da Cultura de Portugal, Isabel Pires de Lima, durante uma sessão de perguntas e respostas no Parlamento, nesta terça-feira (13).

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Segundo Maria do Céu Novais, assessora de imprensa da ministra, "este foi o período considerado mais adequado pelo Ministério da Cultura e pelo Ministério dos Negócios Estrangeiros. A proposta de moratória deverá ser apresentada aos outros países no momento certo".


Críticas - O acordo vinha sendo atacado por setores ligados ao mercado editorial português, que não quer mudar seus arquivos. Além disso, a proposta de adotar a reforma ortográfica no ano seguinte à assinatura do acordo contraria a lei portuguesa que prevê que os livros escolares durem quatro anos.


Com a aprovação do tratado por parte de São Tomé e Príncipe, o número de países que vão adotar as modificações chegou a três – os outros são Brasil e Cabo Verde –, o que garante a sua validade.


Como o tratado prevê que, antes da entrada em vigor da reforma, é preciso que se chegue a uma ortografia comum para as palavras nos países participantes, um cronograma mais apressado pode fazer com que aqueles que ainda não assinaram o tratado fiquem de fora.


Assinado em 1990 com o objetivo de passar a vigorar em 1994, o acordo ortográfico teve um protocolo que o modificou em 1998 – que prevê que bastam três países para que ele entre em vigor, e não os sete iniciais (Timor Leste ainda era controlado pela Indonésia).


O tratado deverá modificar 0,48% das palavras atualmente usadas no português do Brasil e 1,42% das que são utilizadas em Portugal.


Como exemplos das mudanças, os brasileiros deixarão de colocar acentos em "idéia" e "assembléia" e ficarão sem o trema. Os portugueses perdem o c não pronunciado em "acto" e o "p" não pronunciado em "Egipto" ou "óptimo".

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As regras para a utilização do hífen serão unificadas, e ficarão consagradas algumas diferenças: os portugueses passam a tirar o "p" que não pronunciam de "recepção" e mantém o c em "facto" – facto em Portugal significa roupa.


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