A queda do preço do petróleo vem representando má notícia para o desenvolvimento de energias renováveis e biocombustíveis, considerados mais necessários que nunca para proteger o clima, advertiram especialistas presentes na Conferência da ONU em Poznan (Polônia).
O preço atual do petróleo, que perdeu mais de dois terços de seu valor desde os recordes alcançados em julho, não deve frear os esforços para desenvolver as energias renováveis, disse a Agência Internacional de Energia (AIE).
"Inegavelmente, os preços atuais são uma trava (...) para as energias renováveis", declarou seu diretor geral, Nobuo Tanaka.
"O preço do petróleo compromete também a expansão dos biocombustíveis", destacou por sua vez Guarany Osorio, da campanha pelo clima do Greenpeace Brasil, país líder na produção do etanol extraído da cana-de-açúcar. "Quando cai o preço do petróleo cai também o interesse pelos biocombustíveis e, infelizmente, as questões econômicas são priorizadas em detrimento das questões ambientais", lamentou.
O especialista francês Jean-Marc Jancovici se preocupa com o fato de a queda do preço frear as políticas de economia de energia e defende por isso uma alta do petróleo, para incitar os países consumidores a buscarem antes de mais nada eficácia energética.
"A principal razão para desenvolver as energias renováveis hoje é a proteção do clima", afirmou Cedrid Philibert, especialista da AIE.
O etanol brasileiro de cana-de-açúcar reduz em pelo menos 80%, em relação aos combustíveis fósseis, as emissões de gases causadores do efeito estufa, responsáveis pelo aquecimento do planeta.
Os Estados Unidos, que destilam etanol a partir do milho, são o primeiro produtor mundial com 48% de total em 2007. Em seguida, aparece o Brasil, com 31% da produção de etanol. A União Européia produz 60% do biodiesel mundial, biocarburante elaborado a partir de óleos vegetais, que substitui o gasóleo.