Um repórter e um ex-editor do tabloide britânico News of the World foram presos nesta terça-feira sob acusações de escuta telefônica ilegal.
O chefe de reportagem Neville Thurlbeck, de 50 anos, e o ex-editor Ian Edmondson, de 42 anos, são suspeitos de terem conspirado para interceptar mensagens telefônicas de celebridades e outras figuras públicas.
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Edmondson já havia sido demitido do jornal em janeiro, depois do surgimento de evidências de que ele teria grampeado o telefone da atriz britânica Siena Miller entre 2005 e 2006. Seu advogado, Eddie Parladorio, confirmou sua prisão nesta terça-feira.
Thurlbeck e Edmondson se apresentaram voluntariamente a duas delegacias de Londres, mas a Polícia Metropolitana de Londres, Scotland Yard, não confirmou suas identidades.
A News International, empresa proprietária do jornal, disse estar cooperando "completamente" com a polícia.
O tabloide é acusado de ter grampeado até 3 mil telefones de celebridades e figuras públicas da política, do esporte, do entretenimento e da família real.
Investigação
Em comunicado, a empresa disse que, em janeiro, forneceu informações voluntariamente à Polícia Metropolitana "que levaram à abertura da investigação em curso".
"A News International pôs fim ao contrato do editor-assistente do News of The World (Ian Edmonson) ao mesmo tempo. A News International reiterou consistentemente que não vai tolerar más práticas e que está comprometida com a ação baseada em evidências", disse a nota.
As prisões dos dois jornalistas são as primeiras feitas desde que a Scotland Yard reabriu o inquérito - conhecido como Operação Weeting - após alegações de que a equipe do jornal dominical continuava interceptando ligações de figuras públicas.
Edmondson e Thurlbeck foram detidos depois que novas evidências surgiram sobre o caso. Antes, a polícia pensava que precisaria provar que as mensagens de voz foram interceptadas antes de serem ouvidas por seus destinatários.
No entanto, o diretor da promotoria pública, Keir Starmer, disse em uma carta que este tipo de prova não era necessária para julgar o crime.
Processo
A primeira suspeita de grampo surgiu em 2005, quando o News of the World publicou uma reportagem sobre uma lesão no joelho do Príncipe William e despertou a desconfiança da família real.
Em 2007, a primeira investigação da polícia sobre a escuta telefônica levou à condenação do então editor de assuntos da realeza do News of The World, Clive Goodman, que ficou preso por quatro meses.
As mesmas acusações fizeram com que o investigador particular Glenn Mulcaire, que era funcionário do jornal, também fosse preso por seis meses.
As denúncias vieram à tona em 2009 através de reportagens do jornal Guardian. De acordo com o diário, os tabloides contrataram detetives particulares que grampearam - ilegalmente - os celulares das celebridades para conseguir acesso a dados pessoais confidenciais, como contas e extratos bancários.
Quatro vítimas fizeram acordos extra-judiciais com o jornal, incluindo o agente de publicidade Max Clifford, que, segundo relatos, recebeu 1 milhão de libras (cerca de R$ 2,6 milhões).
Atualmente, 14 pessoas estão processando a News International, incluindo o agente de jogadores de futebol Sky Andrew, o comediante Steve Coogan e o comentarista de esportes Andy Gray.
Nesta terça-feira, foi divulgado que a atriz Sienna Miller e sua agente Ciara Parkes conseguiram uma ordem judicial para que a operadora de telefonia celular Vodafone quebre o sigilo de dados envolvendo outros usuários.
A Corte Suprema ouviu que a Vodafone não se opôs à ordem judicial. Outras vítimas conseguiram ordens similares para quebra de sigilo.