Mundo

Protestos contra Otan deixam rastro de destruição

31 dez 1969 às 21:33

Um hotel incendiado, uma igreja saqueada, vidros quebrados em diversas lojas e carros apedrejados. Foi este o saldo dos dois dias de protestos, durante a cúpula de 60 anos da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) em Estrasburgo, na fronteira franco-alemã.

O pior episódio de violência foi registrado neste sábado, último dia de reuniões, quando um grupo antiglobalização conhecido como "black bloc" (bloco negro, em tradução livre) incendiou um hotel a cinco quilômetros do Palácio da Música e dos Congressos, onde os governantes dos 28 países aliados estavam reunidos.


Canais de televisão locais mostraram imagens do incêndio destruindo completamente o andar térreo do edifício, mas os bombeiros conseguiram impedir que o fogo se alastrasse para os andares superiores.Com o rosto coberto por gorros de lã e armados com barras de ferro, cerca de cem membros do grupo também vandalizaram uma igreja, uma farmácia e um posto policial próximos à ponte que une Estrasburgo à Kehl, na Alemanha, que também sediou a cúpula da Otan.


'Black bloc'
Os "black bloc" tinham a intenção de se juntar a uma enorme passeata, organizada por 600 organizações de 43 países, que havia sido autorizada pelas autoridades locais.


A polícia francesa enfrentou os manifestantes com balas de borracha, jatos de água e gás lacrimogêneo. Segundo as autoridades locais, 28 pessoas foram detidas, mas o número de feridos não foi divulgado.


As forças de segurança também usaram gás lacrimogêneo para impedir que outros mil opositores à Otan cruzassem a ponte Churchill, que leva ao local da cúpula em Estrasburgo, depois de ele terem anunciado que pretendiam perturbar a conclusão do evento.


Ao todo, 25 mil policiais e 31 unidades de choque francesas e alemãs foram mobilizados nos dois lados da fronteira para garantir a segurança da cúpula aliada.


'Cidade sitiada'
Com as principais ruas fechados tanto para o trânsito como para pedestres, Estrasburgo parecia uma cidade sitiada e muitos comércios se viram obrigados a fechar as portas diante da falta de movimento e do temor de protestos violentos.


Na madrugada do sábado, 25 pessoas foram detidas por enfrentarem a polícia ao serem impedidos de cruzar o perímetro de segurança estabelecido ao redor do centro da cidade.


Outros 300 manifestantes foram detidos na noite da quinta para a sexta-feira, às vésperas do início da reunião, por vandalizar telefones públicos e carros em episódios separados.

Ainda assim, cerca de 200 pacifistas conseguiram furar o cerco policial e protestar, com tambores e narizes de palhaço, a apenas 500 metros do Palácio da Música e dos Congressos, observados de perto pelas forças de segurança.


Continue lendo