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RJ: Em depoimento, tenente chora diante de juiz

31 dez 1969 às 21:33

Ao ser interrogado pelo juiz Marcelo Granado, da 7.ª Vara Criminal Federal, o tenente do Exército Vinicius Ghidetti de Moraes Andrade reafirmou que sua intenção ao levar os três jovens do Morro da Providência para o Morro da Mineira era de apenas dar-lhes "um susto". Pelo seu relato, não estava previsto entregar Wellington Gonzaga da Costa Ferreira, de 19 anos, David Wilson Florenço da Silva, de 24 , e Marcos Paulo Rodrigues Campos, de 17, para os traficantes.

"Houve um encontro fortuito, tanto que ficamos assustados. Por isto, o sargento Maia foi até eles para explicar que não era nenhuma operação. E que só queríamos dar um susto nos três, que tinham nos desacatado". Segundo o interrogatório, os traficantes então sugeriram que lhes fossem entregue os rapazes, o que acabou acontecendo.


Ghidetti foi muito questionado pelo juiz Granado sobre sua falta de coerência. Primeiro, ele tentou dizer que não pretendia desobedecer ordens do superior, o capitão Laerte Ferrari Alves . "Fui formado na academia e aprendi que se deve obedecer ordens dos superiores. Eu queria dar um susto. Queria deixá-los com 'cagaço'". O juiz quis saber se foi na academia que ele aprendeu a dar "sustos" nas vítimas. E ele não teve explicações.

No momento em que, atendendo ao juiz, fez um relato de sua vida, o tenente Ghidetti não conseguiu segurar o choro ao lembrar que casou-se há seis meses e teve um filho há dois. Mas, em parte alguma do interrogatório mostrou-se arrependido. Apenas insistiu que não imaginava o fim que os jovens acabaram tendo.


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