01/10/20
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Em Beirute

Saldo de mortes em explosão no Líbano passa de 100; há 4.000 feridos

Reprodução/Twitter
Reprodução/Twitter


Já passa de cem o número de mortes em decorrência da explosão que ocorreu nesta terça-feira (4) em Beirute, capital do Líbano, informou a Cruz Vermelha do país. Os feridos já somam mais de 4.000 pessoas, ainda de acordo com instituição, que divulgou um balanço nesta quarta (5).


De acordo com o documento, as ações de busca e resgate ainda não cessaram. "Nossas equipes ainda seguem realizando operações de busca e resgate nas áreas adjacentes [ao local da explosão]", escreve.

A última contagem divulgada na terça por autoridades libanesas informava que 78 pessoas haviam morrido por causa da explosão, que ocorreu na região portuária da cidade. Considerando o tamanho do que ocorreu, esse número ainda deve crescer.

"É como uma zona de guerra. Estou sem palavras", disse o prefeito de Beirute, Jamal Itani, à agência de notícias Reuters, enquanto inspecionava os danos que ele estima chegar a bilhões de dólares. "Esta é uma catástrofe para Beirute e para o Líbano."

As buscas também seguem na água, já que a intensidade da explosão lançou muitas pessoas ao mar. De acordo com a Cruz Vermelha, muitos dos que morreram eram funcionários do porto e da alfândega de Beirute.

Uma grande explosão atingiu na tarde desta terça a capital libanesa, levantando bolas de fogo e colunas de fumaça gigantescas e afetando casas e edifícios a quilômetros de distância.

Paredes de prédios foram destruídas, janelas quebraram, carros foram virados de cabeça para baixo e destroços bloquearam várias ruas, forçando feridos a caminhar em meio à fumaça até hospitais.

De acordo com o premiê do Líbano, Hassan Diab, o incidente foi causado por 2.750 toneladas de nitrato de amônio estocadas na região portuária há seis anos "sem medidas preventivas". "Isso é inaceitável e não podemos permanecer calados", disse Diab.

A substância é comumente usada como fertilizante, mas também na confecção de artefatos explosivos e pirotécnicos. De acordo com especialistas ouvidos pela reportagem, há risco de explosão se a substância entrar em contato com altas temperaturas, fogo, combustível ou alguma fonte de ignição, por exemplo.

A explosão em Beirute ocorre no pior momento da história recente do Líbano. O país atravessa uma crise econômica aguda e uma onda de protestos de rua em meio à pandemia de Covid-19.

O governo libanês decretou um dia de luto em todo o país nesta quarta-feira. O presidente do Líbano, Michel Aoun, disse que determinou uma investigação para revelar as causas da explosão e punir os responsáveis o mais rápido possível.

Aoun também pediu à comunidade internacional que acelere o envio de assistência para ajudar o Líbano a lidar com a crise humanitária.

Diversos países já se comprometeram. O governo da França, antiga potência colonial que administrou o Líbano no início do século 20, disse que enviaria equipamento médico ainda nesta quarta-feira.

O gabinete do presidente Emmanuel Macron informou que o país enviaria 10 médicos especializados em atendimentos de emergência, 55 agentes de segurança e seis toneladas de equipamentos de saúde.

A Fundação de Ajuda Humanitária da Turquia (IHH) anunciou apoio na busca de sobreviventes, escavando detritos para procurar pessoas soterradas e recuperar os corpos de quem faleceu. A mídia local transmitiu imagens de pessoas presas a escombros, algumas cobertas de sangue.

O IHH também mobilizou uma cozinha em um campo de refugiados palestinos para fornecer comida para os necessitados.
A Rússia informou que cinco aviões carregando equipamentos médicos, profissionais de saúde e um hospital de campanha estão a caminho da capital libanesa.

Do Qatar, já foi enviado um avião militar e, segundo a agência de notícias estatal QNA, outros três aviões devem seguir para Beirute nesta quarta-feira, com equipamentos para a instalação de dois hospitais de campanha com 500 leitos cada.
Uma equipe de busca e salvamento composta por 67 médicos, enfermeiros, bombeiros e policiais também foi enviada pela Holanda ao Líbano.
Folhapress
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