Após mais de uma semana de discussões, propostas, contrapropostas, críticas, desagregações e até menções às táticas de propaganda da Alemanha nazista, a reunião da Organização Mundial do Comércio (OMC) para tratar da Rodada Doha não deu em acordo. Ainda não foi possível aumentar o grau de liberalização no comércio mundial compatibilizando os diferentes interesses dos diversos países.
O diretor-geral da OMC, Pascal Lamy, reconheceu nesta terça-feira (29), que o encontro em Genebra (Suíça) fracassou. A reunião termina oficialmente amanhã, mas o porta-voz do Comissário de Comércio da União Européia, Peter Mandelson, já adiantou que não haverá mais negociações.
Lamy sugeriu que os negociadores busquem ao menos certo grau de conciliação através da adoção de salvaguardas no âmbito interno. Para reprimir que as importações atinjam um nível prejudicial ao país em questão, seriam cobrados mais impostos quando o limite de segurança fosse ultrapassado.
Os maiores impasses em Genebra permanecem principalmente entre os interesses dos Estados Unidos, China e Índia.
O ministro de Relações Exteriores brasileiro, Celso Amorim, pediu que os países membros da OMC "deixem de trocar acusações e assumam os riscos de um acordo final" para o sucesso da Rodada de Doha. O Brasil tem sinalizado, desde a semana passada, a intenção de aceitar um acordo proposto por Pascal Lamy, o que gerou atritos com outros países em desenvolvimento que estavam mais irredutíveis, como Argentina e Índia.
Brasil
O governo brasileiro confirma que vai partir finalmente em busca de novos acordos comerciais e não descarta nem mesmo retomar um diálogo entre o Mercosul e os Estados Unidos. Outra prioridade será um acordo com a União Européia. "A OMC era a prioridade, pois só aqui é que poderíamos tratar de subsídios. Mas agora vamos ter de nos concentrar em coisas que dão resultados. Não posso ficar pendurado aqui por mais quatro anos", afirmou o chanceler Celso Amorim. Questionado como veria a OMC a partir de agora, o ministro foi direto: "de longe".
Credibilidade
Para muitos nesta terça-feira, 29, em Genebra, o fracasso da Rodada Doha coloca em risco credibilidade da OMC como o centro focal das negociações internacionais. Países em diversos cantos do mundo já alertam que irão buscar soluções bilaterais e os acordo entre regiões prometem se proliferar (BBC Brasil e Agência Estado).