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Terceiro em pesquisas na França diz se inspirar em Lula

BBC Brasil
19 abr 2012 às 16:15

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Jean-Luc Mélenchon, candidato da extrema esquerda às eleições presidenciais na França, no próximo domingo, e terceiro colocado em algumas pesquisas de opinião, diz se inspirar em líderes sul-americanos como Luiz Inácio Lula da Silva, Cristina Kirchner, Rafael Correa e Hugo Chávez.

Mélenchon, candidato da Frente de Esquerda – coalizão de oito partidos, sendo os principais o Partido de Esquerda, fundado por ele, e o Comunista – registra entre 13% e 15% das intenções de votos, segundo pesquisas de diferentes institutos.

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Ele afirma que a "revolução cidadã", tema de sua campanha, foi inspirada por Rafael Correa, presidente do Equador.


"É o voluntarismo do Chávez, do Lula, de Correa, de Cristina Kirchner que me serve como fonte de inspiração e também me reconforta. Essas personalidades tiveram um voluntarismo para romper com as tradições e foram criticadas por isso", diz.


Mélenchon afirma ser amigo de longa data do ex-presidente Lula. "Eu o conheci na época em que ninguém o recebia em Paris", diz.



'Elemento chave'


O candidato, atualmente deputado europeu, já foi ministro da educação do ex-premiê socialista Lionel Jospin entre 2000 e 2002. Ele deixou o partido socialista em 2008 para criar o Partido de Esquerda.


Segundo Raquel Garrido, porta-voz do candidato para as questões internacionais, o Partido dos Trabalhadores brasileiro representou um "elemento chave" para Mélenchon.


"Lula criou um instrumento político que não estava apoiado em antigos partidos. Com o Lula, surgiu um novo tipo de esquerda, independente da social-democracia. Isso nos fez refletir", disse Garrido à BBC Brasil.


Lula também é uma fonte de inspiração em outras áreas, diz a porta-voz.


"Ao pagar a dívida externa brasileira, Lula mostrou que o Brasil quis obter independência em relação ao Fundo Monetário Internacional", afirma.


"Lula defendeu também a autonomia do Brasil em relação aos Estados Unidos e criou uma política de alianças entre países do hemisfério sul", diz Garrido.



Aliança



O candidato defende uma aliança entre a França e grandes países emergentes, como o Brasil e a China, para lutar contra "a hegemonia econômica em crise dos Estados Unidos e criar um mundo pacífico e multipolar".


Há, no entanto, uma ação do governo brasileiro com a a qual o candidato francês não concorda: o superávit nas contas públicas.


"Achamos que isso é perigoso para o crescimento econômico. No caso da Europa, o superávit nas contas significa planos de rigor e a necessidade de agradar aos mercados", afirma Garrido.


Melénchon promete "liberar a França da tutela dos mercados financeiros" e tem um programa de governo dispendioso que, segundo analistas, ignora a crise econômica.


Ele prevê aumentar o salário mínimo dos atuais 1,4 mil euros brutos para 1,7 mil euros e o retorno da idade mínima de aposentadoria – ampliada pelo governo para 62 anos – aos 60 anos.


Mélenchon diz que as eleições presidenciais serão uma "insurreição cívica" na França.


O jornal conservador Le Figaro batizou o candidato de "pequeno Chávez à francesa".


"Focalizaram no Chávez meu interesse pelas revoluções que ocorreram na América Latina. Só o vi uma vez. Isso não pode ser chamado de relação pessoal", diz o candidato.


Como a presidente argentina, Cristina Kirchner, que anunciou a nacionalização da companhia petrolífera YPF, Mélenchon também pretende estatizar a Total. O candidato defende que isso permitiria baixar os preços dos combustíveis na França.



Socialistas


Mélenchon teve uma ascensão espetacular nas pesquisas. No final do ano passado, ele registrava entre 5% e 6% das intenções de votos, segundo diferentes institutos, e foi subindo progressivamente.


A guinada, que o levou a ocupar o terceiro lugar em várias pesquisas, ocorreu a partir de meados de março, quando seus comícios começaram a atrair milhares de participantes e ter ampla repercussão na imprensa.


Mas em pesquisas divulgadas nesta semana o candidato se mantém estável ou perdeu até dois pontos percentuais.


Segundo analistas e pesquisas, Mélenchon está conseguindo atrair principalmente eleitores socialistas e da esquerda em geral que, decepcionados com as propostas, haviam se retirado do cenário político e provavelmente iriam se abster nessas eleições.


Mélenchon também atrai fortemente eleitores de outros partidos da extrema esquerda que perderam nestas eleições líderes conhecidos do grande público, que deixaram a política.


Os candidatos atuais da Luta Operária ou do Novo Partido Anticapitalista, novatos na disputa, só registram atualmente 1% nas pesquisas.


Parte do eleitorado centrista, historicamente ligado à direita francesa, também passou a aderir às propostas de Mélenchon, famoso por seus talentos de orador em comícios.


Se as projeções em relação a Mélenchon forem confirmadas nas urnas no próximo domingo, esse será o melhor resultado de um candidato da extrema esquerda francesa nos últimos 30 anos.

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Mélenchon declarou que sua meta é obter mais votos do que Marine Le Pen, da extrema direita, que registra, segundo pesquisas, intenções de votos bem próximas às do candidato.


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