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Vaticano pede orações pelo fim de abusos na Igreja

07 jan 2008 às 12:19

O cardeal Cláudio Hummes propõe uma oração mundial pelas vítimas dos sacerdotes pedófilos e para reparar a falta de padres. O anúncio foi feito na edição deste final de semana do jornal oficial do Vaticano, o L’Osservatore Romano.

"Pedimos a todos que façam a adoração eucarística para reparar diante de Deus aquilo que foi feito de grave e para trazer de volta a dignidade das vítimas", afirmou o prefeito da Congregação para o Clero.


Na avaliação do cardeal brasileiro, é uma prioridade estimular a criação de um grande movimento espiritual de orações por todos os sacerdotes e pela santificação deles.


"São muitas coisas a fazer para o bem do clero e a fecundidade do ministério pastoral no mundo de hoje", disse D. Cláudio, que preside a Congregação responsável por mais de 400 mil padres católicos em todo o mundo.


"Sempre houve problemas, porque nós somos todos pecadores. Mas, nos dias de hoje, coisas muito graves têm sido reveladas."


Menos de 1%


Segundo D. Cláudio, deve-se lembrar sempre que apenas uma parte mínima do clero está envolvida em situações consideradas sérias.


"Menos de 1% está envolvido com problemas de conduta moral e sexual", assinalou.


"A grande maioria não tem nada a ver com fatos desse gênero. Mas todos os sacerdotes necessitam ajuda espiritual para continuar a viver a própria vocação e a própria missão no mundo de hoje."


Diferente do prefeito da Congregação para o Clero, alguns grupos que lutam contra os abusos sexuais praticados por padres católicos na Itália acreditam que uma jornada mundial de orações não seja suficiente para acabar com o problema da pedofilia na Igreja Católica.


"Na ótica da fé, a oração não serve sem a prática, porque até mesmo os mafiosos costumam rezar. Para um crente, a oração pode ser válida apenas se tiver como premissa a prática", disse à BBC Brasil Massimo Merighi, coordenador do grupo Bispensiero.


"Do ponto de vista da vítima, rezar não serve para nada. O que serve são boas ações, respeitando sempre a vontade de Deus. Isso significa deixar as crianças em paz, não fazer mal a elas."


Na mesma linha da iniciativa de D. Cláudio, há mais de um ano, o padre Raniero Cantalamessa, orador da Casa Pontifícia do Vaticano, disse que a Igreja Católica deveria fazer um dia de jejum e penitência para pedir perdão aos abusos sexuais envolvendo alguns de seus representantes.


Cantalamessa disse, na presença do papa, que a Igreja tinha "chorado e suspirado" recentemente "pelos detestáveis atos cometidos em seu seio por alguns de seus ministros e pastores". De acordo com ele, seria importante mostrar publicamente arrependimento diante de Deus e solidariedade com as vítimas.

As informações são da BBC Brasil.


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