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Vítimas do 'monstro da Áustria' tentam levar vida normal

31 dez 1969 às 21:33

As vítimas do caso do seqüestro do "monstro de Amstetten" progridem na sua adaptação à vida normal, mas os médicos responsáveis há 10 dias pela austríaca Elisabeth Fritzl e seus filhos apontaram nesta terça-feira o medo de que as seqüelas sejam irreversíveis.

"O ar fresco, a luz do dia e uma dieta equilibrada os estão ajudando", assinalou Berthold Kepplinger, chefe da equipe de 15 psicólogos que tratam de Elisabeth, de 42 anos, seus cincos filhos entre 5 e 18 anos e sua mãe, Rosemarie, de 69 anos.


Em 27 de abril, Elisabeth abandonou pela primeira vez, em 24 anos, o porão de 60 metros quadrados e 1,70 metro de altura, sem janelas, onde viveu presa desde os 18 anos, sofrendo sistemáticos estupros do pai, Josef Fritzl, de quem teve sete filhos.


Assombroso crime


A hospitalização da filha mais velha em abril, de 19 anos e em estado crítico, serviu para revelar o assombroso crime. Tanto ela, que ainda se encontra no hospital, como dois de seus irmãos, de 18 e 5 anos, viviam presos com a mãe e nunca haviam visto a luz do sol.


O estado de saúde da filha mais velha, que continua em coma induzido, evolui muito lentamente e os médicos ainda não conseguiram identificar sua doença. Em contrapartida, os outros membros da família "estão bastante bem, dadas as circunstâncias", assinalou Kepplinger. "O mais novo é o mais encantador, simpático, e sociável", acrescentou.


Superação


A psiquiatra Brigitte Lueger-Schuster, especialista em situações pós-conflito, considera que a família vive agora "uma espécie de lua-de-mel" por ter voltado a se reunir, mas que só tomará consciência da sua situação "pouco a pouco".

De todas as formas, superar o passado será tão difícil para a mãe e os filhos presos como para os outros três adotados por Fritzl, para quem "o avô tinha o papel de protetor até 10 dias atrás, quando a polícia o prendeu", concluiu o doutor Hochgatterer.


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