O Museu de Anatomia da UEL (Universidade Estadual de Londrina) deu início a uma nova etapa em sua história ao implementar adaptações em seu espaço expositivo. O objetivo é tornar o ambiente mais acolhedor e acessível para o público infantil e fortalecer o papel educativo do museu, aproximando a comunidade escolar do conhecimento científico sobre o corpo humano de maneira tranquila e adequada a cada faixa etária.
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A estrutura nasceu em 1962, a partir de uma pequena coleção de crânios de animais doados pelo professor Carlos da Costa Branco, o primeiro docente titular da então Faculdade Estadual de Odontologia e que desde 1997 dá nome ao museu.
Desde a fundação, uma dúvida recorrente entre pais, professores, visitantes e a própria equipe dizia respeito às peças da coleção embriológica — em especial fetos humanos em diferentes estágios de desenvolvimento e com malformações congênitas. Devido a preocupações com o impacto emocional, maturidade das crianças, crenças religiosas e o desconforto de acompanhantes, a adequação do percurso sempre foi tema de debate.
Embora o museu não imponha restrições formais de idade para as visitas, a coordenação costuma alinhar o trajeto previamente com os educadores. Diante de relatos de professores do ensino fundamental e médio que consideravam certas peças impactantes para alunos mais jovens, o espaço buscou uma forma de atender a essa demanda das próprias instituições de ensino sem comprometer o valor científico do acervo.
A solução adotada consistiu no uso provisório de painéis revestidos com lona branca para cobrir dois armários da coleção embriológica. “É importante destacar que a cobertura da vitrine tem caráter estritamente temporário e é realizada sob pedido específico de cada comitiva de visitantes. O acervo não permanece continuamente coberto ou escondido”, explica o professor Leandro Luis Martins, coordenador do Museu.
Com um ambiente totalmente aberto, organizado por setores focados nos sistemas do corpo humano e sem barreiras físicas para isolamento total, a cobertura pontual das peças foi a alternativa de baixo custo encontrada para adaptar o trajeto. “Anteriormente, para acessar a exposição de animais, as turmas precisavam obrigatoriamente passar pela área de embriologia. Com o isolamento temporário dessas peças sensíveis, as crianças menores podem circular livremente pelo espaço e focar no conteúdo pedagógico de seu interesse”, completa.
Impacto positivo na comunidade
A eficácia da medida já foi demonstrada na prática durante a visita de 27 alunos do 4º e 5º anos da Escola Nova Geração, de Londrina, em junho. A professora Jucyara de Freitas Vilas Boas, que acompanhou a turma, elogiou a adaptação, ressaltando que o ambiente se tornou muito mais adequado para crianças menores, permitindo uma experiência de aprendizado mais leve e proveitosa.
Essa foi a única visita realizada com o ajuste e a solução será continuamente avaliada a partir dos novos agendamentos, com o retorno das atividades acadêmicas em agosto e um novo time de monitores. O Museu de Anatomia da UEL recebe em média 500 estudantes ao mês, com um movimento de mais de 5 mil visitas por semestre
A expectativa é que a reorganização do espaço reduza potenciais desconfortos e amplie as oportunidades de atendimento às escolas, mantendo intacto o rigor científico do museu. “Essa flexibilidade no atendimento fortalece a qualidade das visitas e amplia o interesse de escolas de Londrina e região dentro do nosso compromisso de democratizar o conhecimento acadêmico, promovendo a divulgação científica e a educação em saúde junto à comunidade”, completa Martins.
Agendamentos
As visitas escolares e de grupos ao Museu de Anatomia são realizadas mediante agendamento prévio e deverão ser retomadas normalmente a partir da primeira semana de agosto. Outras informações e orientações para professores estão disponíveis no site oficial: https://sites.uel.br/museuanatomia/.